Luanda - Chama-se Rosa Kanga. É professora do Instituto Técnico do Bengo. Alega estar a ser alvo de perseguição política por parte dos responsáveis da instituição para a qual trabalha. Quem nos dá conta do seu “triste fado” é o site Club-K. Ele sugere que a vida de Rosa Kanga anda tão “espinhosa”, nos últimos tempos, por estar a ser acossada em virtude de ter apoiado a UNITA e a Frente Patriótica Unida nas últimas eleições. Querem tirar, de todas as formas, maneiras e feitios, os “espinhos” de Rosa Kanga.

Fonte: Club-k.net

Ninguém (digo eu), em Angola, deveria mais ser politicamente perseguido ou assediado por votar no MPLA, na UNITA, no PRS, na CASA-CE ou numa outra força política qualquer. O País deveria sentir vergonha por isso. É uma atitude bárbara. Já não se compagina com os tempos hodiernos. Deveria ser condenada por todos. E em toda linha. Sobretudo ao nível do mais “alto clero” político do Estado angolano.

Ser da UNITA - aqui há uns anos - pressupunha anulação social, econômica e sobretudo física. Estes tempos, ao que tudo indica, continuam. Quem se alia à UNITA ou a um outro partido na oposição comete um crime de lesa-pátria e é, informal e clandestinamente, sentenciado à pena capital. Quem se alia à oposição passa de adversário a inimigo. Por isso pode ser abalroado por uma bala supostamente perdida.

Saio em defesa da professora e cidadã Rosa Kanga (não a conheço de lado algum), como sairia de igual modo se a pessoa acossada fosse do MPLA ou de uma outra força política. É preciso acabar com este “comportamento de caverna” e “atitude de troglodita”. É imperioso desencorajar atitudes como estas que não nos levam a lado nenhum, enquanto Estado-Nação. Pelo contrário. Só nos envergonham. Só nos deixam mal na fotografia.

Rosa Kanga tem o Direito de apoiar o partido que bem quiser e entender. Não tem de ser perseguida ou banida por apoiar o MPLA, a UNITA, o PRS ou a CASA-CE. Ninguém tem o direito de perseguir quem quer que seja por causa das suas opções político-ideológicas.

Estou certo e seguro que militante nenhum do MPLA gostaria de ser politicamente acossado ou banido quando um dia o seu partido não mais estiver no poder. Isto não é bom para o País. É um adiar de problemas. É imperioso acabar com estes expedientes (sujos) que só nos deixam mal e atestam sem eufemismos nem tergiversações que, afinal, temos uma “paz podre” em Angola.

A denúncia está feita. A vítima tem nome. A padecente tem rosto e endereço. Os seus verdugos idem aspas. Estão lançados os dados para que a PGR investigue e, acima de tudo, proteja a cidadã, a mãe, a esposa e professora Rosa Kanga, antes que os seus verdugos cheguem ao extremo. E extremo aqui significa um dia acordarmos com a triste notícia de que Rosa Kanga foi assassinada na calada da noite à luz do dia.

Os angolanos deveriam ser livres de fazerem as suas opções ideológicas e serem marcados de morte por serem desta ou daquela formação política que não a que esteja no poder.