Luanda - O Cónego Apolónio Graciano manifestou, recentemente, o seu “espírito santo” (leia-se indignação, desagrado) contra a malvadez política e histórica dos “apóstatas” que, no dia 10 de Novembro, omitiram, perversa e deliberadamente, o nome de quem procedeu, há pouco mais de 20 anos, ao lançamento da primeira pedra daquilo que é hoje o Novo Aeroporto Internacional de Luanda (NAIL): o de José Eduardo dos Santos!

Fonte: Club-k.net

Contudo (porém, todavia, não obstante), manda a verdade dizer que nunca se ouviu posição idêntica do padre Apolónio Graciano durante o consulado de José Eduardo dos Santos, quando, este, também, tentou, de forma vã, ofuscar e banir publica e politicamente o nome de Agostinho Neto da nossa História. Seja como for e apesar de ferido de legitimidade moral, o “xinguilamento” do padre Apolónio Graciano tem razão de ser.

 

Ele atira-se de cabeça contra a omissão dolosa do nome do presidente emérito do MPLA e antigo chefe de Estado angolano da História da construção do NAIL pelo “novos senhores”. Fê-lo em vídeo que circula à velocidade da luz nas redes sociais. O clérigo deixou um directo e claro aviso à navegação.

 

Alinho no mesmo diapasão que o filho do casal Sabino António Graciano e Maria Teresa André para “make noisar” em torno do mesmo assunto, começando por considerar ser uma malvadez política e injusta de todo tamanho o facto de não se ter invocado o nome de José Eduardo dos Santos durante a cerimônia de inauguração do NAIL. Era da mais elementar Justiça e honestidade intelectual da parte de quem hoje (des)comanda o Estado angolano reconhecer isso.

 

Não se aniquila dos anais de um País a graça e a (des)ventura de quem (des)governou durante um período de quase quatro décadas em dez anos. E, atenção: o tiro pode sair pela culatra. O dia de amanhã é uma incógnita. O futuro, este, a Deus (seja ele quem for) pertence!

 

A História do NAIL e de Angola será mentirosa se não reconhecer, um dia, o concurso do predecessor de João Lourenço na construção e conclusão da infraestrutura estratégica e econômica que é o NAIL.

 

Tenho para mim que a estratégia de preterir o nome de José Eduardo dos Santos - no que à ereção do NAIL respeita - é um “ raciocínio raso” e uma machadada contra o processo de (re) conciliação entre os angolanos. É a confirmação do adiar da democracia e das nossas liberdades. É uma forma de tentar levar o País ao esquecimento.

 

Se os “novos senhores” não a têm, o País precisa de mostrar que a sua memória está (bem) viva. Pois quem tem memória, lembra-se; quem tem coração, dificilmente esquece. Ora a mim parece que os “novos senhores” não têm memória e muito menos coração.

Pois!