Luanda - A Operação Especial Militar Russa na Ucrânia é algo que foi projectado a bastante tempo, sobretudo após o "Golpe de Estado" contra o Ex Presidente Ucraniano Pró-Russo "Viktor Yanukovich (exilado na Rússia) as coisas entre Kiev e o Kremlin tomaram um rumo de tensões sem precedentes. O Presidente Sucessivo Ucraniano "Petro Poroshenko" manteve uma relação "difícil e hostil" com Moscovo, além das constantes violações dos "Acordos de Minsk" entre às partes e a sua aproximação sólida com a União Europeia, Poroshenko além de ser um anti-Russo autêntico e declarado, se certificava de dizer publicamente de que o Kremlin era uma ameaça real em todos os sentidos para a Segurança Nacional da Ucrânia.

Fonte: Club-k.net

Lembrando que Poroshenko é um Oligarca Ucraniano, é detentor de fábricas e indústrias de armamentos e outros commodities na Ucrânia e na Região da Europa do Leste. Portanto, à seguir subiu ao poder da Ucrânia o actual Presidente Zelenskiy (que ao momento da sua campanha e eleição escrevi um artigo longo a seu favor e apresentei o conteúdo do referido artigo perante meus colegas ucranianos, amigos, conhecidos e à comunidade Ucraniana em Roma). Na época enquanto Estudante do Doutoramento fui convidado a marcar presença na Embaixada Ucraniana em Roma para apresentar a minha visão sobre a Eleição do Presidente Zelenskiy, sendo que Ele vinha do Mundo artístico e acabava de entrar na vida Política. O encontro correu positivamente bem. A subida de Zelenskiy ao poder piorou 7 vezes mais a relação político-diplomática entre Kiev-Kremlin, devido a sua determinação em querer fazer parte da União Europeia e da NATO (um dos motivos do conflito russo-ucraniano).


Porém, olhando e analisando com maior atenção e profundidade política este conflito, nota-se que o Kremlin pretende dividir a Ucrânia, pretende ocupar o máximo de Territórios possíveis na Ucrânia. E por mais que o Presidente Putin tem vindo constantemente à público dizer que pretende negociar a Paz e que é a favor de um cessar-fogo na Ucrânia e a apesar que este cessar-fogo em parte o beneficiaria, esta não é a sua verdadeira estratégia, seu objectivo final é dividir a Ucrânia, ou seja, o Kremlin tomando pra si a Região de Kherson (Região que não controla na sua totalidade), por outra tomando Mariupol (cercada pelas tropas russas), controlando também o Rio Denieper, o Mar de Azov e o acesso Ucraniano ao Mar Negro, então, poderia-se dizer (caso isso venha acontecer) que a Rússia terá conseguido dividir o Território ucraniano, através dessas áreas do Sul Ucraniano se eliminaria as fronteiras russo-ucranianas, juntando elas com todo Donbass, também com a Transnistria (Territótio Molvavo ocupado pelos russos nos anos '90)... desse jeito o Kremlin alcançaria os seus objectivos político-militares na Ucrânia.


Algum tempo atrás o Ex Presidente Russo Medvedev (Vice-Presidente do Conselho de Segurança da Rússia) fez um discurso semelhante à minha visão de análise, manifestando a ideia de que o conflito russo-ucraniano irá continuar por muito mais tempo para se puder conquistar outras regiões na Ucrânia, garantindo desse jeito maior Segurança do Território Nacional.


Este conflito (tendo em conta a não intenção de negociação de paz entre às partes) poderá prolongar-se por um tempo ainda "indeterminado", e com o passar do tempo às ajudas ocidentais à Ucrânia poderão diminuir significativamente (o que ainda não aconteceu), e mais tarde ou mais cedo o conflito terá de terminar e a Ucrânia terá de ser reconstruída. Contudo, não haverá negociação de Paz na Ucrânia sem cedência de Territórios.


N.T: Para se fazer guerra basta um actor querer mas para se fazer a paz é necessário no mínimo dois ou mais actores, no caso russo-ucraniano os actores são a Rússia e a Ucrânia, juntando à eles os EUA (OTAN) e a UE.


Por: Leonardo Quarenta, Post-Doc Researcher
Política & Diplomacia
Defesa & Segurança