Luanda - O ministro de Estado e Chefe da Casa Militar do Presidente da República esteve recentemente no Parlamento e - sem titubear ou pestanejar - admitiu aquilo que o País inteiro sabe de cor e salteado: há (muitos) casos de indisciplina no seio dos efectivos da Polícia Nacional. Francisco Furtado assacou a responsabilidade da indisciplina à bagunça que se assiste entre os “chuis” aos processos de recrutamento e seleção dos mesmos.

Fonte: Club-k.net

O General Francisco Furtado está (digo eu) equivocado. O problema relativo ao processo de seleção e recrutamento de efectivos para Polícia Nacional está no deficiente Sistema de educação. Está na decadência de valores cívicos e morais promovidos a todo vapor pelas redes sociais em parceria com a Comunicação Social. Por isso é que, hoje, há, comprovada e flagrantemente, na Polícia Nacional mais força que inteligência; mais brutalidade que autoridade, mais abusos contra os cidadãos que respeito.

Adiante. O ministro de Estado e Chefe da Casa Militar do Presidente da República defendeu, perante os tribunos angolanos, o seguinte: o ingresso na Polícia Nacional deve privilegiar os efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA) licenciados à reforma. O pensamento exteriorizado pelo General Francisco Furtado, neste quesito, extemporâneo e anacrônico. Ele traduz clara e inequivocamente a intenção de se militarizar a Polícia Nacional. Está errado! O cidadão-eleitor agradece, mas não é isso que quer.

O País, no contexto actual, precisa de uma polícia menos letal e menos ostensiva. É imperioso, para já, acabar com as operações bélicas a que a Polícia Nacional acostumou-nos a assistir. É necessário que a Polícia Nacional deixe de usar armas de calibre de guerra. É preciso aproximar a Sociedade da polícia e vice-versa. O cidadão tem de se sentir seguro quando diante ou abordado por um agente da Polícia Nacional. Não é o que ocorre nos dias de hoje.

É preciso identificar e expurgar os sicários que existem no seio da Polícia Nacional, bem como os alegados “esquadrões de morte” do Serviço de Investigação Criminal (SIC), que têm o mórbido prazer de matar por matar, violando desta forma um Direito Fundamental ínsito na Constituição vigente: o Direito à vida!

O Ministério do Interior tem de procurar adequar as suas estratégias e políticas à actual realidade do País, sob pena de os “homens certos na vida errada” continuarem a dar a volta à Segurança Pública do País.