Luanda - João Lourenço já foi recebido na Casa Branca, em Washington. No fim do encontro, o Presidente angolano sublinhou a importância da economia para a relação bilateral, e para a consolidação do caminho dos países africanos rumo a um desenvolvimento integral, robusto e sustentado. Por seu lado, o Presidente norte-americano reconheceu Angola como o país africano mais importante, sublinhando o potencial do continente e do seu bilião de habitantes para escrever um futuro no qual África levante voo de uma vez por todas.

Fonte: NJ

Durante estes dois dias de intensa produção informativa em torno da visita de João Lourenço aos EUA, todos os meios de comunicação social destacaram as múltiplas vertentes da relação entre os dois países, colocando o tema “economia” no centro de todas as abordagens.

Neste contexto em que a economia assume uma preponderância como impulsionador do desenvolvimento de Angola e de África, no encontro que teve lugar na Casa Branca, João Lourenço e Joe Biden aprofundaram as linhas gerais da cooperação bilateral, abrindo caminho à execução de projectos em áreas diversas como o comércio, investimento, digitalização, clima e energia. A reunião abordou também a Parceria para Infra-estruturas e Investimentos Globais (PGI) do Presidente Biden no Corredor do Lobito, eixo que ligará Angola, a República Democrática do Congo e a Zâmbia aos mercados mundiais, através do porto angolano do Lobito.

Para a transição energética foi anunciado o investimento de 2 mil milhões de dólares norte-americanos. Também foi noticiada a continuidade do apoio ao combate às grandes endemias e a concretização de iniciativas privadas em vários sectores, entre os quais o hoteleiro, elemento indexado ao desenvolvimento do turismo. Acresce ainda a componente militar, perante a complexidade dos conflitos nos Grandes Lagos e na África Central e o combate ao terrorismo e à pirataria no Golfo da Guiné.

O encontro de hoje remeteu para o passado uma relação assente quase exclusivamente no negócio do petróleo. A diversidade é agora a chave mestra da cooperação entre Angola e os EUA. Por si só, esta abertura de portas a múltiplas áreas de investimento é uma notícia alentadora, que eleva as possibilidades a um patamar totalmente novo.

Há muitos anos que académicos, economistas e analistas de todo o mundo vaticinam que o século XXI será o “século de África”. Em Fevereiro deste ano, na Cimeira da União Africana, em Addis Abeba, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, voltou a insistir: “O século XXI poderia ser, deve ser o século de África”. “Devemos aproveitar a riqueza natural, humana, cultura e empresarial para fazer desta uma realidade”. “Mas antes”, alertou, “devemos superar uma série de provas massivas.”

E uma destas provas é a nossa própria capacidade de concretizar as oportunidades que surgem. No domínio das relações bilaterais, não basta assinar acordos e fazer deles notícia por um dia. Temos que ser capazes de os materializar, desenvolver, usá-los como trampolim para criar, em conjunto com os países parceiros, projectos devidamente planificados e sustentáveis, e com um impacto real e mesurável na melhoria de vida das populações.

Este “day after” será o nosso maior desafio e os Estados com quem estabelecemos estas relações bilaterais estarão atentos a como vamos gerir os nossos compromissos e traduzi-los no terreno. Da nossa capacidade de concretização depende o renovar da confiança e do apoio destes países que acreditam que somos capazes de liderar o nosso próprio desenvolvimento.

Os acordos assinados em Washington trazem uma lufada de ar fresco e criam grandes expectativas. O seu êxito dependerá de nós, das decisões que tomarmos e, sobretudo, da nossa força enquanto país. Há oportunidades que surgem raramente. Não deixar passá-las ao lado é nossa obrigação e compromisso. Com Angola e os angolanos.