Luanda - A visita a Washington do Presidente João Lourenço representa um dos estágios, no âmbito das relações bilaterais entre Angola e os EUA, porquanto o primeiro data do tempo em que Angola ainda era Província de Portugal com uma representação diplomática de nível Consular acreditada por Portugal que sempre tratou dos negócios associados com a exploração do crude.

Fonte: JA

A fase intermédia (1978-1981) prendeu-se com o processo pós-proclamação da Independência que por força da Guerra fria caracterizada com a existência de duas superpotências mundiais a (URSS e EUA) e com o MPLA no poder com a opção socialista como via de desenvolvimento onde os bens de produção eram todos pertença do Estado, o que certamente não agradou os EUA em particular e o ocidente no geral economias onde os Estados apenas homologam e funcionam como providências dos investimentos privados que suportam a economia socorrendo-os em casos de crises supranacionais.


O segundo estágio, ocorreu aquando da mal-sucedida aproximação para uma parceria mais activa político-económica com o Governo do democrata Jimmy Carter em funções nos finais da década de 70 até 1981, que foi gorada com a sua não reeleição que beneficiou o republicano Ronald Reagam, uma oportunidade que talvez facilitaria aquilo que é hoje a China, ter uma economia de mercado socialista bem-sucedida. Com Reagam na Casa Branca e fazendo jus ao contexto, este preferiu descartar o projecto com o Governo de Luanda, na altura de orientação marxista-leninista, optando por velhas alianças e já com uma FNLA, Frente Nacional de Libertação de Angola, de Holden Roberto, moribunda e capitulada, virando os seus interesses na reabilitação da UNITA, União Nacional para Independência Total de Angola, um dos movimentos de libertação, que a par do MPLA e a FNLA, conduziram a epopeia que levou Angola à Independência com todos os constrangimentos daí resultantes, sobretudo, uma guerra civil mortífera e destruidora.

A passagem de Angola pelo Conselho de Segurança da ONU assinalou o terceiro estágio, um sinal de reaproximação, pois Angola este é ao lado dos EUA na invasão do Iraque fundamentada na defesa colectiva, um argumento plasmado na Carta das Nações quando a atitude de um dos seus membros constituir uma ameaça colectiva, ameaça que estudos disponíveis desmentem as alegações invocadas no que tange às armas de destruição massiva. Este gesto, que satisfez a política externa dos EUA facilitou como recompensa o apoio ao Governo do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, naquilo que hoje é a paz efectiva desde o ano de 2002.

Mas uma fase transitória levou-nos ao quarto estágio, período entre 2002 e 2017 que se não explorou o que hoje estamos a assistir por ausência de uma diplomacia mais activa na diversidade de parceiros suportada por reformas políticas, económicas e sociais com base no melhoramento das questões ligadas ao combate à corrupção, democratização do país, liberdade de imprensa, direitos humanos e recurso ao FMI, exigências básicas uma vez visíveis que oferecem garantias naquilo que é o pensamento ocidental para o ingresso no clube dos aliados capitaneado por este.

O Presidente João Lourenço começou a liderar o quarto estágio, nestes últimos seis anos de governação, pois, procurou com políticas macroeconómicas, iniciativas de cariz sociais, a diagnosticar os caminhos que temos seguido e concluiu que chegou a altura de procurar sim, o caminho certo que nos levasse a um desenvolvimento sustentado para a melhoria das condições das populações dando desta forma oportunidade ao mercado tão exigente como o dos EUA. Como exemplos de parcerias bem-sucedidas temos o Japão que de pedras sobre pedras e mesmo dilacerado com duas bombas atómicas das lançadas sobre Hiroxima e Nagasaki pelos EUA, acção que determinou o fim da II Guerra Mundial, hoje é uma das maiores economias do mundo. A Coreia do Sul protegida pelos EUA do seu arquirrival vizinho do Norte a Coreia do Norte, desenvolveu-se em menos de quarenta anos. Outrossim, Israel, a pérola dos EUA no Médio Oriente está de tal forma potenciada que é capaz de enfrentar sozinho vários Estados na região em caso de guerra e com índices económicos alcançados a partir do deserto cujo capital humano bem formado está na origem do sucesso.

Se Angola à partida tem mais recursos económicos que muitos países juntos, ontem, inexistentes há cinquenta anos como o Emiratos Árabes Unidos, hoje desenvolvidos, o que será de Angola nos próximos vinte anos se o forte para o seu aproveitamento for racional e inteligentemente potenciado o capital humano, evoluindo para um sistema de ensino dentro dos padrões internacionalmente aceites, uma empregabilidade ao nível das premissas sobretudo da juventude e do género, priorizando projectos sociais como boas estradas e mais apoio à agroeconomia e à indústria baseadas em investimentos privados com saldos positivos na sua balança onde o Estado aparece como regulador após homologação e estar pronto para o incondicional Estado Providência para acudir e/ou salvar que do imperativos objectivos o ameaçarem. Mas todo este esforço deverá estar entrosado naquilo que serão os ganhos estratégicos políticos sobretudo, económicos e invisíveis da política externa americana que no que tange à excelente posição geopolítica de Angola abaixo do Saara, onde a sua relação com o tradicional aliado a África do Sul se vem azedando pela sua inclinação aos BRICS, daí a soberba afirmação de Joe Biden de que Angola é o país mais importante em África, preterindo países como a África do Sul e a Nigéria. Sendo o objectivo desta cooperação Angola sair da letargia e afirmar-se no contexto das Nações rumo ao G30, resta-nos fazer bem as tarefas de casa. Este último parágrafo representa o quinto estágio.

O sexto estágio está associado com a relação entre investidores privados de ambos os Estados porquanto, o governo americano não vai potenciar empresas estatais porque mesmo o investimento para as infra-estruturas do Corredor do Lobito será adjudicado às latifundiárias americanas que a vão gerir rumo à sua privatização como segunda etapa.

A formação de quadros capazes de colocar Angola nos rankings internacionais resultará, igualmente, do empresariado privado, o investimento em energias fotovoltaicas. A questão que se coloca é que os produtos de Angola tem a oferecer numa reciprocidade de vantagens para além do petróleo? O diamante, o cobre, o ferro, o café, os produtos têxteis, o turismo, a agricultura multissetorial e outras valências nacionais deverão merecer uma certificação ISO para serem aceites no mercado americano e não só onde padrões de alta qualidade são a condição "sine qua no". Com isto salientar que lá/cá onde estiver a ser produzido um produto para o seu mercado, o sistema de qualidade americano estará presente para homologar estes produtos antes de serem exportados para o seu país. Os nossos empresários deverão correr atrás do prejuízo para se equipararem a demanda e aí o Estado angolano terá responsabilidades vitais para a sua exequibilidade. Se o embaixador estadunidense já afirmava que só que não tinha olhos para ver, não reconhecia os progressos em Angola, afirmação corroborada pela Casa Branca ao aceitar o desafio para o relançamento de relações mais profundas entre os dois países.

* (Licenciado em Relações Internacionais e Presidente da Mesa da Assembleia-Geral da Associação dos Especialistas Angolanos em Relações Internacionais), Pós-graduado em Agregação Pedagógica para o Ensino Superior, Especialista em Orçamento e Gestão de Custos de Manutenção Aeronáutica.

Adão Baião*