Lisboa - Segundo fontes seguras, confidenciaram a direcção da Fundação 27 de Maio, segundo o general Silva Mateus, presidente da referida instituição, que Luís dos Passos, Reginaldo Silva, Felix Matias “Felito”, Macau entre outros, subscreveram uma carta ao Presidente do MPLA e da República, José Eduardo dos Santos, para que lhes fossem concedida uma audiência para tratar de questões inerentes ao genocídio de 27 de Maio de 1977.


*Lucas Pedro
Fonte: Club-k.net


Outras fontes do Club-k.net, no seio do MPLA, asseguraram que a referida carta, até a presente data, ainda não obteve uma resposta.


Em reacção, o general Silva Mateus, presidente da Fundação 27 de Maio, em entrevista exclusiva ao Club-k.net, lembra que Luís dos Passos e Amadeu Neves, então presidente e secretário para Assuntos Político do extinto PRD, haviam negociado com a direcção do MPLA, para silenciar o passivo do 27 de Maio de 1977. “Isto é, não se falar mais dos acontecimentos do 27 de Maio, em pagamento de 10 milhões de dólares norte-americanos”, avançou a fonte.


O general recorda ainda que por discordância desta venda, 17 membros da Comissão Executiva (Bureau Político) do PRD, foram expulsos administrativamente por Luís dos Passos, protegido na altura pelo regime do MPLA.


No entanto, com relação aos almoços comemorativos em alusão a data que sempre foram organizados por Reginaldo Silva e Macau, para este ano abdicaram-se desta tarefa, tendo a mesma, na última hora, tomada pelo cidadão autóctone William Tonet, também sobrevivente do genocídio, em colaboração com a Fundação 27 de Maio.


Silva Mateus recorda ainda que no primeiro almoço realizado, pelos os mesmos, alguns sobreviventes falaram sobre as suas tristes trajetórias, além de discursos e declamação de alguns poemas de Nito Alves e de outros, tendo acordado que cada sobrevivente apresentaria por escrito a sua versão sobre as vicissitudes da sua prisão.


Estas versões seriam, segundo o nosso interlocutor, compiladas em livro branco. No entanto, nos almoços subsequentes, Reginaldo Silva já não permitia mais que se falasse sobre os acontecimentos a data, porem a ideia de feitura da referida obra desapareceu.


Por outro lado, o presidente da Fundação 27 de Maio, alega que estes elementos querem mais uma vez extorquir dinheiro ao MPLA, e possivelmente, ao Presidente da República, porque não se lhes conhece, terem apresentado publicamente um memorando para a resolução das questões do 27 de Maio de 1977.


Em contra-partida, Silva Mateus, relembra que além de estatuto publicado em Diário da República, número 43. III série de 21 de Setembro de 2001, foi anexado um dossier e em carta remetido ao Presidente da República e do MPLA, com cópias ao Secretariado Permanente do Bureau Político do MPLA e as instâncias de soberania nomeadamente: Procuradoria Geral da República (PGR), Assembleia Nacional (AN) e ao Tribunal Supremo (TS).


Razão pela qual, o general Silva Mateus, garante que é do conhecimento da direcção do MPLA que qualquer resolução em relação a questão, passa necessariamente pela Fundação 27 de Maio. “Porque a história já registou que as negociações que foram feitas com interlocutores não representativos, não surtiram os efeitos desejados”, rematou calmamente o general Silva Mateus.      


Lucas Pedro, em Lisboa



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