Luanda - Na sequência do processo que culminou na venda da empresa Semanário Angolense, Lda., detentora do jornal com o mesmo título, o jornalista Graça Campos e seus partners ficam proibidos de se iniciar no lançamento de uma nova publicação.


Fonte: Novo Jornal

Rafael Marques notificado para deixar de escrever para o SA

Em entrevista telefónica ao Novo Jornal, Graça Campos confirmou esta claúsula contratual como “normal e uma prática em qualquer lado, pois de contrário não fazia sentido esta compra”.


Estas mudanças em alguns semanários coincidem com as movimentações no sentido do preenchimento dos postos dos Conselhos de Administração das empresas públicas de comunicação social.

 

De acordo com a agencia reuters, o grupo Media Investments, cujos proprietários são desconhecidos, informou em um comunicado que comprou o Semanário Angolense, A Capital e 40 por cento das ações do Novo Jornal - todos que ficaram conhecidos por denunciar a corrupção no governo.


A iniciativa ocorre no momento em que o Semanário Angolense, o mais crítico dos três jornais com relação ao governo, intensificou suas reportagens sobre a corrupção envolvendo as principais autoridades governamentais.


Manuel Vicente, presidente da empresa estatal de petróleo Sonangol, era alvo frequente do jornal, que o acusou de usar dinheiro da empresa em benefício próprio. A Sonangol repudiou as reportagens.


O fundador e diretor do jornal, Graça Campos, crítico do governo, deixou o Semanário Angolense, afirmou o jornalista Rafael Marques, autor de vários artigos sobre corrupção no jornal.

 

Marques disse que ele parou de contribuir com o jornal. "O diretor saiu e me disseram que eu não escrevo mais para o Semanário Angolense", disse ele à Reuters.


"É muito estranho que o Semanário Angolense seja vendido a uma companhia desconhecida especialmente quando aumentava sua crítica ao governo", disse Marques, acrescentando que ele temia que os novos donos tivessem fortes ligações com o governo.


O partido governista em Angola já detém o controle sobre boa parcela da mídia. O governo controla dois canais nacionais de televisão, uma rádio e o único jornal diário.


COMUNICADO DA MEDIA INVESTMENTS


A Media Investments, um grupo de multimédia angolano de capitais privados, leva ao conhecimento do público que adquiriu a totalidade da sociedade Semanário Angolense, Lda e da sua principal publicação, o Semanário Angolense.


Com a venda do título, passaram também para a Media Investments todos os activos inerentes à produção do jornal, excepto a sua sede social. Tratou-se de uma transacção normal, ditada exclusivamente por factores de mercado, mercê da qual uma empresa, a Media Investments, fez uma oferta de aquisição aos proprietários da sociedade Semanário Angolense, Lda.


Da transacção efectuada não resultarão alterações no formato gráfico e editorial e na periodicidade do Semanário Angolense.


O novo director da publicação é o jornalista Severino Carlos, que era até então o seu Editor-chefe e Editor de Política.


O jornalista Silva Candembo mantém-se como Director-adjunto da publicação, ao mesmo tempo que continuará a assegurar a edição da secção de Desporto.


Por último, a Media Investments informa que adquiriu igualmente a totalidade do semanário A Capital, bem como 40% do capital do Novo Jornal, neste caso por cedência da parte da participação da ESCOM.


Luanda, 05 de Junho de 2010.



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