Luanda - A FRELIMO rechaçou com todas suas forças as opções de Filipe Nyusi para a sua sucessão. Desarticulou as estratégias do seu presidente que visavam impor os seus desejos e vontades. A FRELIMO não foi na conversa. Opôs-se de forma valente e frontal contra a eventual ideia de caucionar o prolongamento de Filipe Nyusi como inquilino do Palácio da Ponta Vermelha para lá de Outubro do presente ano. Tudo aconteceu durante a recente realização da reunião do Comitê Central do partido no poder em Moçambique.

Fonte: Club-k.net

O argumento foi curto, grosso, agitado mas muito claro: a FRELIMO não quer que se “angolanize” o Estado moçambicano. Ou seja, a FRELIMO quer distanciar-se de determinadas práticas do MPLA por acreditar que o paradigma de governação do Estado angolano não serve para Moçambique. Foi um violento murro no estômago de Filipe Nyusi. Foi uma acachapante derrota para Filipe Nyusi e os seus seguidores. Foi uma lição a partir da qual o MPLA deveria pôr a mão na consciência e tirar ilações.


A razão avocada pelos membros do Comitê Central da FRELIMO para “derribar” o (ainda) presidente do partido no poder em Moçambique e desencorajar a ideia de um terceiro mandato, deixa-nos desolados, desde logo pelo facto de a governação angolana ter servido de exemplo. Mau exemplo, diga-se. Isso põe em baixo a auto-estima de qualquer angolano de alma e coração. Causa uma dor de alma saber que, afinal, nem nos “países-irmãos” somos bem vistos. Isso envergonha os patriotas angolanos. A imagem do Estado angolano é, afinal, alvo de chacota e risota. Até de um País com quem Angola tem afinidade ideológica desde a sua emancipação política.


Definitivamente, Angola não está bem! Quando é referida de forma jocosa e citada de forma negativa, é sintoma inequívoco de que estamos mal. Muito mal mesmo. Urge dar à volta a isso. Quando diante de um facto como este, conclui-se facilmente que, afinal, a relação entre a FRELIMO e o MPLA é cínica. É hipócrita. A FRELIMO ridiculariza a forma como o MPLA gere o Estado angolano. Os moçambicanos não querem o modelo angolano replicado no seu País. Angola é, em conclusão, um exemplo a não seguir.


Estou certo e seguro que a imagem de Angola não é bem vista além-fronteiras pelas políticas erráticas do Executivo. Angola está mal na fotografia externa por patrocinar, por omissão, violações dos direitos humanos. A omissão permanente do Presidente da República em relação às execuções praticadas por agentes do SIC à luz do dia também contribuem.


Fenômenos como a corrupção, falta de transparência , o comportamento agressivo de deputados, magistrados e auxiliares do Titular do Poder contribuem significativamente para uma imagem negativa do País fora-de-portas. A falta de noção do ridículo por parte da(s) liderança(s) do Estado, prejudica a reputação do País. Em todo mundo. É nesta hora que os verdadeiros patriotas (e não patrioteiros) sentem vergonha de ser angolanos. É nesta hora que os patriotas são chamados a colocar o seu falso orgulho no bolso e arregaçar mangas".
Efeito Cabo Verde?