Luanda - Nenhuma nação se constrói na base do ÓDIO. Não vale a pena insistir nisto. Não vai dar certo. Estamos a perder tempo com suposições e acusações gratuitas. Ficámos distraídos com coisinhas, enquanto o essencial passa sem ninguém dar por conta. Quando o assunto é sério, a nossa malta não diz absolutamente nada. Nessas ocasiões, a reacção do pessoal é igual a zero. Mas se o assunto for o de aceitar um convite para um jantar de gala ou tirar umas “selfies” com uma entidade, aí, sim, cada um abre a boca e larga lagartos como bem entende e lhe apetece – diante do silêncio cúmplice dos homens do bem.

Fonte: Club-k.net

Impressiona-me bastante a facilidade que o angolano tem em aproveitar as falhas/desatenções/ingenuidade de alguém para descarregar sobre ele toda a raiva e frustração acumuladas durante anos.

Considerar de vendilhões da Pátria personalidades de admirável e inigualável folha de serviço em prol dos angolanos, só porque aceitaram participar do almoço com o Presidente da República, JLo, em Portugal – é de tamanha irresponsabilidade e de extrema intolerância. Desta vez, os ativistas do ódio foram longe demais. Não é assim que se brinca com coisas sérias. Alguém tem de os dizer que não é este o caminho que constrói a preconizada reconciliação genuína. Pena é que eles têm muitos seguidores nas suas redes sociais/canais do youtube e são aplaudidos por gente supostamente culta.

O silêncio dos bons alimenta a alma dos maus. Não podemos criticar o adversário por não promover o diálogo e a verdadeira reconciliação nacional, quando nós próprios remamos contra a maré, semeando e cultivando a intolerância entre nós.

Um verdadeiro "Revú" defende e promove a tolerância, porque ele próprio é vítima da intolerância. Um "Revú" de verdade defende a verdade sem insultar nem caluniar ou maltratar seja ele quem for.

Luanda, 22 de Maio de 2024.
Gerson Prata