Luanda - Os familiares e defensores dos direitos humanos, no Cuango, província da Lunda-Norte, exigem a responsabilização criminal dos efactivos da Polícia Nacional do Comando Municipal, supostamente implicados no assassinato a tiro do jovem Amado João Jonasse.

Fonte: Club-K.net

Os familiares exigem à Procuradoria-Geral da República (PGR-Cuango) a abertura do competente processo crime com vista a penalização dos suspeitos e igualmente pedem o fim da impunidade, tráfico de influência e consequentemente a corrupção, na região do Cuango.

 

Dália João Jonasse (irmã) da vítima Amado João Jonasse, assassinado a queima-roupa pelas 11h00, do dia 13 de Março de 2024, na sequência de uma emboscada feita pelos efectivos, numa via que dá acesso à zona de exploração de diamantes por quatro agentes da corporação, que estiveram numa operação, considera que desde que ocorreu o crime quase quatro meses, não há nenhuma luz no fundo do túnel nos órgãos da justiça local “sobre o assassinato do meu irmão, pois já frequentei mais de sete vezes e não existe explicação clara sobre o processo, porquanto nada se diz sobre julgamento dos agentes em causa”.

 

“Nossa reivindicação é para que o Procurador-Geral da República de Angola e o Ministro da Justiça e dos Direitos Humanos nos dê uma resposta à altura porque não queremos que possa mais ocorrer casos idênticos nas mãos de outros efectivos da ordem e da defesa do governo angolano e ou nos elementos paramilitares, como esses, dessa guarnição do comando municipal do Cuango que ceifaram a vida do meu irmão”, disse.

 

Em declarações ao portal Rádio Angola e com lágrimas nos olhos, a jovem Dália João Jonasse lembrou que no dia em que foi assassinado o seu irmão chegou de ser detida, quando tentava questionar aos agentes que passavam numa viatura da Polícia 113, “porque mataram meu irmão, porque mataram meu irmão, ele vos fez o quê? Agentes desceram da viatura e me prenderam junto a minha prima identificada pelo nome de Pancha Adolfo”.

 

“Nos puseram no 113, nos levaram até ao comando municipal da polícia nacional do Cuango, onde permanecemos algumas horas e, mais tarde, o comandante Joaquim Chiloya, colérico com a situação, nos mandou ir a casa”, contou.

 

Madalena Adolfo, 23 anos, esposa do malogrado, com quem teve três filhos, disse que desde a morte do marido a condição social da família piorou, pois segundo ela “enfrentamos muitas dificuldades para o sustento, sem abrigo, por isso a quem de direito e ou Procurador Geral da República de Angola, o Ministro do Interior que me ouça essa entrevista que estamos a pedir que se faça justiça”.

 

O malogrado deixou três filhos, nomeadamente Isabel Amado, 6 anos, Ronaldo Amado 4 anos e Adolfo Amado, 1 ano de idade. “Não consigo sustentar essas crianças sem o pai e sem emprego”, lamentou a senhora lacrimejando.

 

Membros da sociedade civil exigem à PGR que se promova justiça sobre as mortes de civis no Cuango

 

Alguns membros da sociedade civil denunciam que há muitos anos que a região do Cuango, na Lunda-Norte vem registando vários casos de assassinatos de civis, cujos autores bem identificados continuam impunes, apesar de queixas apresentadas aos órgãos de direito.

 

Na denúncia, os cidadãos do Cuango e Cafunfo revelam que os actos criminosos, na sua maioria são cometidos por agentes de empresas privadas de segurança: Kadyapemba, Bikuar, Teleservice e a K&P, em serviço das empresas de elite angolana, que exploram os diamantes na região.

 

Segundo ainda os membros da sociedade civil, existem igualmente casos de assassinatos com os implicados bem identificados envolvendo efectivos do SIC, Polícia de Ordem Pública e Polícia de Guarda Fronteira, mas que “os criminosos nunca foram levados às barras do tribunal, a exemplo do assassino do jovem Amado João Jonasse”.

 

A cidadã Celestina Adriano Fiamate manifesta-se preocupada com o “silêncio”do Ministério Público face às constantes violações dos direitos humanos, pelo que pede ao procurador do Cuango para esclarecer as razões da não detenção dos efectivos supostamente envolvidos na morte do Amado Jonasse.

 

O ancião Waimbulo Bartolomeu, 60 anos, condenou as execuções extrajudiciais, por no seu entender violarem a Constituição da República de Angola (CRA), que proíbe a pena de morte. “A falta da justiça comprova, mais uma vez, que estamos perante o regresso da pena de morte em Angola (ou a era da PIDE-GS), que regressa novamente com os mesmos métodos maquiavélicos que visam disparar mortalmente contra quem fosse encontrado com meios de garimpo e ou quem tocasse nos diamantes”.

 

O idoso apela ao Presidente da República de Angola, João Lourenço, alegando que “os habitantes das Lundas, especialmente do município do Cuango, praticam actividades de garimpo, como a única fonte de sobrevivência, e os diamantes não pode ser motivo de morte dos cidadãos locais, tem de haver respeito a vida da pessoa humana, os diamantes não pode ser mais importante na vida do governo angolano do que as pessoas”.

 

“Se os diamantes são intocáveis, desde já pedimos que se proíbam as fábricas que produzir os meios de garimpo, que se encerrem os mercados, e se acabam com fluxo de estrangeiros e as respectivas casas de compra de diamantes que se encontram abertas sob vossa orientação nessa parcela das Lundas”, disse.