Luanda - Depois de trinta e cinco anos de independência a igualdade de oportunidades é  ainda um grande sonho senão mesmo uma miragem para muitos filhos de Angola. Hoje vê-se a olho desarmado um pequeno grupo de angolanos cidadãos com uma grande abundância de riqueza, poder ao máximo , direitos e oportunidades e uma imensa multidão de homens e mulheres cidadãos formais marginalizados atormentados todos os dias pela fome, doença, falta de educação , emprego, sem poderes, direitos e oportunidades e do outro lado a semelhança dos tempos do colonialismo com politicas da assimilação e o indigenato em que só os colonos e os  cerca de 30.000 angolanos assimilados considerados cidadãos portugueses  gozavam de direitos e tinham oportunidades para a sua realização pessoal.


Fonte: Terra Angolana


Os indígenas eram apenas indivíduos, sem direitos sem suporte politico, jurídico, económico social do estado. A missão civilizadora em Angola no republicanismo português tinha como pedra de toque transformar os povos de Angola em portugueses mudando completamente todos os aspectos das suas vidas incluindo as suas organizações sociais, económicas, politicas, crenças religiosas, vestuário, hábitos alimentares, etc só neste sentido angolanos poderiam ser considerados cidadãos com direitos, deveres e oportunidades.


Armando Monteiro, português defensor da política de assimilação dizia a 2.2.1952, “nenhum povo conta no seu activo uma experiência, ultramarina mais antiga larga intensa e variada como a dos portugueses, neste domínio tentamos todos, os sistemas poderíamos fundar a própria ciência da colonização”.


A constituição diz que todos os  Angolanos são iguais perante a lei com deveres e direitos. A Constituição, as leis e as decisões jurídicas devem ter presente a realidade concreta dos seus destinatários. Só assim estará ao serviço do homem e do cidadão. Como instrumento de mediação entre os valores e os factos.


O facto de se ser cidadão em Angola, portador de um bilhete de identidade,  ou certificado profissional não o habilita para ter acesso a um emprego ha que juntar o cartão de membro do partido no poder para depois ser catapultado ao Comité de Especialidade.  Esta é a prática embora não esteja sustentada por uma legalidade jurídica institucional o contrario é adversário ou mesmo inimigo o cidadão não é admitido, não há confiança, promoção embora tenha faculdades técnico-profissionais.


Muitos Angolanos para terem oportunidades e serem considerados cidadãos são forçados a uma assimilação politico--partidária, têm de renunciar as suas convicções politicas, sociais,  as vezes até culturais, são compelidos a desprezar e maltratar as suas instituições politicas anteriores, têm de demonstrar arrependimento em relação as suas escolhas politicas anteriores para não serem considerados indesejáveis, na aldeia, no bairro, na função pública, na empresa. Tem de ser cidadão assimilado político.


Tudo isto por causa das vantagens administrativas, do clientelismo politico, aliado a uma visão monocromática da grande burguesia, representante do capitalismo liberal e herdeira dos paradigmas do mono partidarismo que dominou o país.


Dai também se pode entender as cíclicas hemorragias que se assistem nos partidos políticos de oposição nas proximidades das eleições, por que a ser maturidade politica ou mudanças de convicções não surgiriam, numa só época em todo o território como surgem os cogumelos. Pelo andar da carruagem os povos de Angola estão diante de uma ciência colonial, reciclada ajustada as condições domésticas do país.

 

Três décadas depois da independência com uma nova Constituição, já não faz sentido  hoje em Angola manter entre os filhos da mesma Pátria, velhas desconfianças,  proteccionismos obsoletos, barreiras de  incompreensão.


As complexidades da vida no que diz respeito as relações entre as instituições do estado e os cidadãos, nos dias de  hoje transcendem os conceitos do poder mono partidário e as fronteiras político partidárias. É preciso olhar para o país no seu todo e os seus povos não apenas para as cercanias ideológicas.

 

O destino dos povos de Angola será construído pela compreensão em acolher o que é comum o que é diferente animados da vontade de consenso pela tolerância pelo sentido de fraternidade para que todos os angolanos se sintam actores livres motivados pelo facto de terem nascido no território que se chama Angola e todos contribuírem com pouco ou muito para a tarefa da reconciliação e reconstrução nacional.



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