Luanda - Justino Pinto de Andrade, 62 anos, economista e professor da Universidade Católica de Angola, pertence a um clã com raízes mergulhadas fundo nas lides políticas desde a irrupção do nacionalismo moderno com a consequente participação activa no processo da luta de libertação nacional.

 

Fonte: O Pais

“Pretendemos fazer oposição real”

Militou durante muito tempo no MPLA com familiares (tios) da craveira de Mário Pinto de Andrade, presidente fundador do MPLA e Joaquim Pinto de Andrade, presidente honorário do mesmo movimento de libertação nacional na companhia do irmão Vicente Pinto de Andrade.

 

Entrou em rota de colisão com a direcção do MPLA por divergências de cariz ideológico pouco antes do início do processo de descolonização de Angola, militando na Revolta Activa, corrente de que eram animadores, entre outros os seus tios.

 

Após a proclamação da independência conheceu o calvário nas cadeias, um itinerário que completava depois de ter ficado encarcerado durante muito tempo no Tarrafal, Cabo-Verde.

 

Com a abertura democrática em 1991 participou na constituição da Associação Cívica de Angola (ACA) com o tio Joaquim Pinto de Andrade, ao tempo secretáriogeral da mesma. Manteve a sua fidelidade ao partido no poder actualmente até entrar em desinteligências com a sua direcção e acabou por suspender a sua militância.

 

Com o aprofundamento das divergências, anuncia publicamente a sua desvinculação do MPLA, assumindo-se como uma pessoa livre que doravante apoiaria a Frente para a Democracia, força política extinta no rescaldo do desastre eleitoral de 2008.

 

Animador do debate sobre questões de política interna e externa, Justino Pinto de Andrade engajou-se na estruturação do Bloco Democrático enquanto sucedâneo da da FpD e assume a sua presidência na conferência constituinte, tornando-se assim no seu primeiro presidente.

 

Num contacto mantido com O PAÍS, o primeiro presidente eleito do Bloco Democrático, Justino Pinto de Andrade, apontou as prioridades imediatas do seu mandato de quatro anos, a começar pela conclusão do processo de legalização do partido junto do Tribunal Constitucional.

 

O também analista político promete concentrar, numa primeira fase, as suas atenções na organização desta nova formação partidária. Vai trabalhar na estruturação do BD e criar condições para os militantes. “Pretendemos fazer oposição real”, anunciou Justino Pinto de Andrade, que considera que no momento actual os partidos na oposição deixaram de fazer o seu papel, não contribuem com ideias, bem como não analisam as acções governo.

 

Apesar de não ter assentos no parlamento, dentro dos canais apropriados, o BD vai procurar fazer uma oposição real e responsável.

 

Serão essas as marcas de actuação, conforme prometeu o presidente do BD.

 

Apesar da função de presidente partidário, Justino Pinto de Andrade considera que não existe nenhuma incompatibilidade entreeste papel e o de comentarista e analista político, “porque a experiência de outros países já demonstrou que, essencialmente, os analistas políticos desenvolvem actividade política”.



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