Luanda - O Banco Yetu atravessa um dos períodos mais delicados da sua história recente, marcado por uma crise de governação que resultou na saída de cinco membros do seu Conselho de Administração. Actualmente, permanecem em funções apenas dois administradores: Paulo Fontes, Presidente da Comissão Executiva, e Azenaida Chimuco.

Fonte: Club-k.net

A vaga de saídas iniciou-se em Dezembro de 2024, com o afastamento de João da Costa Ferreira, então Presidente da Comissão Executiva. Em Abril de 2025, Agostinho Felipe apresentou a sua renúncia, seguida, no dia 26 do mesmo mês, da cessação de funções de Abraão Gourgel (Presidente do Conselho de Administração), Felipe Bernardi (Administrador Executivo) e Rui Mangueira (Administrador Não Executivo Independente). Esta sucessão de eventos tem vindo a levantar preocupações quanto à estabilidade da liderança do banco e à sua imagem no mercado.

 

Num comunicado conjunto, os três últimos ex-administradores esclareceram que não têm qualquer vínculo com as sanções aplicadas pelo Banco Nacional de Angola (BNA) à instituição, nem com os factos que deram origem ao processo contra João da Costa Ferreira. Afirmam não ter sido envolvidos em qualquer investigação, nem chamados a prestar declarações, sublinhando que não foram alvo de sanções individuais por parte do regulador. Reforçaram ainda que não participaram, directa ou indirectamente, nos actos que motivaram o processo em causa.

 

Apesar desta declaração, algumas entidades têm mantido a posição de associar os ex-administradores às práticas visadas pelo regulador, o que, segundo observadores do sector, poderá estar a ser usado para legitimar uma reestruturação interna promovida pelos actuais gestores e principais accionistas do banco.

 

A saída de figuras de destaque da administração, aliada à recente sanção do BNA, reforça a percepção de instabilidade e fragilidade na governação do Banco Yetu. O histórico de alterações frequentes na estrutura directiva tem contribuído para a perda de confiança de investidores, clientes e parceiros institucionais, num momento em que o sector bancário angolano exige maior rigor e transparência.