Luanda - Em Luanda continuam reunidos chefes de Estado africanos, representantes norte-americanos e empresários dos dois países, na 17ª cimeira África-Estados Unidos. As relações entre os dois blocos mudaram desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca. Governantes e empresários procuram como lhes dar um novo rumo, entre os que esperam ver uma "diplomacia comercial" a emergir e os que alertam sobre os obstáculos às parcerias económicas entre os dois blocos.
Fonte: RFI
Depois de elogiar as relações económicas entre o continente africano e os Estados-Unidos, João Lourenço, fiél à sua política interna de diversificação da economia, apelou Washington a apostar noutras indústrias e não só nos recursos naturais do continente.
Foi depois aos actores africanos que o Presidente angolano e presidente da União Africana se dirigiu.
Para desbloquear plenamente o nosso potencial, devemos acelerar os processos em curso de integração económica continental. Precisamos de corredores logísticos mais funcionais, regras comuns que facilitem a mobilidade de capitais, precisamos de mercadorias e pessoas. E consequentemente, industrializar os nossos países, aumentando a oferta de postos de trabalho, para evitar o êxodo dos nossos jovens.
Para o empresariado norte-americano: África está pronta. Os nossos governos estão preparados para ser facilitadores e o nosso sector privado está disponível para construir alianças que gerem lucros, mas também, prosperidade partilhada.
As relações EUA-África entraram numa nova fase com o regresso de Donald Trump à Casa Branca. "O mundo mudou, os Estados Unidos mudaram e os mercados também", disse Troy Fitrell, director do Gabinete norte-americano de Assuntos Africanos que fala em "diplomacia comercial" para se referir à nova estratégia norte-americana para o continente africano.
Temos uma nova estratégia comercial. A primeira coisa que fizemos foi dar total ênfase à diplomacia comercial. Estou a falar para vocês que estão no sector privado: as nossas embaixadas trabalham para vocês. E vamos julgar os nossos embaixadores pela capacidade que têm em vos apoiar. E todas as nossas viagens oficiais aqui em África contarão com líderes empresariais. Para qualquer ponto do continente em que formos, vamos viajar com empresários, porque é para nós uma prioridade.
Já o Presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, deixou uma mensagem mais politizada, apontando o dedo às recentes politicas da administração Trump.
Alguém tem que se lançar e vou ser eu. Quando 36 paises africanos são proíbidos de entrada nos Estados Unidos, como é que o comércio poderá se desenvolver entre os nossos dois espaços? Quando taxas alfandegárias são impostas de forma abusiva ao encontro dos estados africanos, para alguns mais de 40% de taxas ! Como é que os negócios se vão desenvolver?
Declarações estas de Mahmoud Ali Youssouf, aplaudidas por uma larga maioria, que surgem dez dias depois do anúncio por Pequim da sua intenção de exonerar a quase totalidade dos países africanos de taxas alfandegárias para as exportações para a China.
A parceria entre os dois blocos enfrenta várias incertezas, a começar pelo futuro do acordo comercial África-Estados Unidos, conhecido por AGOA (African Growth and Opportunity Act) e que termina em Setembro de 2025.
Resta saber se Donald Trump irá ou não remeter as discussões sobre um eventual prolongamento para mais tarde, nomeadamente devido à actual situação no Médio Oriente, no topo das preocupações internacionais dos Estados-Unidos.
De recordar igualmente que a administração Trump tem procedido a cortes nos programas de de apoio ao desenvolvimento, que afectam principalmente o continente africano.














