“Kopelipa” e um grupo de investidores israelitas

Os terrenos, de origem xistosa e marcados por elevados declives, encontram-se a dois quilómetros da Quinta da Leda.

A transacção contou do lado vendedor com produtores locais que detinham as quintas em parceria. Do lado comprador está a Superfície Vertical Investimentos Imobiliários (SVII), controlada pelo chefe dos Serviços de Inteligência Externa de Angola (SIEA).
 
Segundo os valores registados oficialmente, Manuel Hélder Vieira Dias Júnior, conhecido por “Kopelipa”, pagou pelos dois terrenos cerca de um milhão de euros.

Um dos anteriores proprietários era a família de Celso Madeira (Rui e Filipe Madeira), dona da Casa Agrícola Reboredo Madeira (CARM), que desenvolve igualmente a sua actividade na zona duriense e que comercializa vinho e azeite com as marcas CARM. O primeiro contacto para a venda da Quinta da Serra e da Quinta daPedra Cavada partiu de Celso Madeira no decurso de uma viagem a Angola.

Imobiliária mediou negócio
“Kopelipa” é desde 16 de Maio de 2007 administrador e accionista maioritário da WWC, World Wide Capital SGPS, holding que já este ano adquiriu a SVII.

O recurso a uma imobiliária para realizar a transacção prendeu-se, informações obtidas pelo PÚBLICO, com questões de natureza fiscais mais favoráveis. Este alto responsável do Governo angolano assumiu em 2006, por indicação do Presidente, José Eduardo dos Santos, a liderança dos serviços secretos locais, na sequência da sindicância desencadeada a este organismo e que levou à demissão do anterior responsável, general Fernando Garcia Miala.

Em Angola, “Kopelipa” está ligado a personalidades como Isabel dos Santos, a empresária filha do Presidente e sócia de Américo Amorim em negócios como o Banco Internacional de Crédito (agora também com presença em Portugal, tendo Mira Amaral como presidente).

De acordo com informações do Semanário Angolense, entre os accionistas do projecto agrícola Terra Verde estão Isabel dos Santos, “Kopelipa” e um grupo de investidores israelitas. O é também referido como tendo várias ligações a empresas da

África do Sul, além de deter participações em diversas empresas angolanas em áreas como tecnologias de informação, transportes, cimentos e pescas.

No projecto vinícola no Douro, o novo proprietário da Quinta da Serra e da Quinta da Pedra Cavada pretende recuperar os terrenos reconvertendo-os em plantação de vinha, estando já a ser desenvolvidos contactos com vista à compra de licenças de plantio.

Produzir vinho tinto
Dos quatrocentos hectares de superfície, há autorização para cultivar 150 hectares (destinados na sua maioria a gerar vinho tinto).

O plano é arrancar numa primeira fase com o plantio numa área equivalente a metade do que é permitido.

Em simultâneo estão actualmente a decorrer negociações entre a SVII e Celso Madeira, o anterior dono das quintas, com vista a celebrar uma parceria para a sua exploração e que permita a obtenção de economias de escala. As conversas entre o dono da CARM e os representantes de “Kopelipa” envolvem um projecto de exportação de vinho para África, em especial para Angola, país que 2007 importou de Portugal cerca de 50 milhões de litros de vinho.

Nomeado em 1995 como chefe da Casa Militar de Eduardo dos Santos,”Kopelipa” iniciou a sua ascensão no seio da presidência através do departamento de estudos e análises, do qual era responsável.

Entre as suas missões estavam a análise da situação política e do papel dos media, principalmente os de capitais privados.

A sua influência aumentou exponencialmente quando assumiu a do Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN), criado em 2004. Detendo total autonomia administrativa e reportando a José Eduardo dos Santos, o GRN tem como missão

“promover, acompanhar e supervisionar a implementação de programas no domínio da recuperação económica e social”. Na prática, é por este organismo que passam centenas de milhões de dólares negociados entre a China e Angola, aplicados depois de diversas formas, incluindo a construção de infra-estruturas como habitações e estradas.

Mercado em alta
Numa fase em que Angola importa cada vez mais produtos de consumo, Portugal tem conseguido aumentar a sua presença, nomeadamente em sectores como o das bebidas.  No caso do vinho, cerca de 75 por cento das marcas compradas neste país são de origem portuguesa, segundo afirmou à Lusa José Costa e Oliveira, vice-presidente da associação portuguesa de produtores (ViniPortugal) no passado dia 1 de Julho.

Só em 2007 foram exportados cerca de 50 milhões de litros de vinho, equivalentes a perto de dez milhões de euros, com destaque para as marcas dos grupos do Esporão e da Sogrape. No ano que vem, e de acordo com José Costa e Oliveira, o organismo de que faz vai investir no mercado angolano cerca de 500 mil dólares (319 mil euros), direccionados para acções de formação, provas de vinho e bolsas de estudo.

Fonte: Público 7/7/08



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