Lisboa - Já era, de facto, o director do Sinfo, embora, nominalmente, fosse sempre apresentado como vice-ministro do Interior. O Sinfo, como passou a ser conhecido o antigo MINSE, após a liberalização política do início da década de 1990, deu agora lugar ao SISE-Serviço de Inteligência e Segurança do Estado (acrónimo igual ao do serviço congénere de Moçambique).


Fonte: AM


Além da nova designação, também se tornou desta feita nítido, embora sempre tenha sido assim, ainda que até agora ocultamente, que o serviço funciona na alçada da PR – do mesmo modo que o SIE-Serviço de Inteligência Externa, braço externo do aparelho de segurança angolano. Ambos, mais o SIM-Serviço de Inteligência Militar, estão agora inseridos na orgânica da chamada administração presidencial ou governo do PR – superestrutura do poder corporizada e legitimada por uma constituição que assim modelou o sistema presidencial angolano.


O director do SISE, de seu nome completo Sebastião José António Martins, entre os seus amigos mais antigos conhecido por “Potássio”, deve a sua ascensão a dois factores:


a) à sua antiga e sólida amizade com Fernando da Piedade Dias dos Santos;

b) às suas competências e habilidades. Uma coisa nunca dispensa a outra. E tanto é assim que Osvaldo Serra Van Dunem, o ministro do Interior que sucedeu a F P Dias dos Santos, não o manteve na função de vice-ministro do Interior, afastando-o; regressou no consulado do actual titular do cargo, Leal Monteiro, claramente por influência de F P Dias dos Santos.


Das suas competências faz parte uma boa cultura geral e aptidões como o domínio fluente de inglês e francês.

 

À mente aberta que lhe é reconhecida não deve ser estranha a concepção dita “moderna” (uma das suas habilidades) que tem do serviço que dirige: produzir informação, independentemente da sua origem humint, comint ou elint, e por meio dela boas análises, mas aparentemente não lhe repugnando que a capacidade de vigilância e controlo do serviço, humana ou electrónica, possa também ser usada para seguir vidas e passos de adversários políticos do regime.



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