Luanda - A política angolana, como sempre, continua a dar-nos espetáculos dignos de novela mexicana. Makuta Nkondo, o eterno andarilho dos partidos, decidiu, mais uma vez, arrumar a trouxa e sair pela porta dos fundos. Menos de três meses depois de se declarar seguidor do “mano Abel”, o veterano político já anuncia a sua saída, acusando os partidos da oposição de não serem sérios. Cá para nós: como se a seriedade fosse um artigo ainda disponível neste mercado paralelo da política.


Fonte: Portal Diamante de Angola

No fundo, a cena é simples: Nkondo não troca de partido, troca de oportunidade. Ele não adere a projectos políticos, adere a garantias de sobrevivência. O que ontem parecia ser “a salvação de Angola”, hoje já é “coisa sem futuro”. E amanhã? Bem, amanhã sempre haverá uma nova sigla para acolher a sua coerência nómada.

 

O curioso é que, se a economia angolana fosse tão liberalizada quanto a política chinesa, talvez os cidadãos pudessem brincar de empreendedores, enquanto a política ficaria apenas para os verdadeiros interessados – ou melhor, para os verdadeiros “donos do poder”. Mas como não é o caso, a política transformou-se num mercado negro de prestígio e sobrevivência, onde os veteranos fazem da sigla um prato de sopa.

 

Makuta Nkondo é apenas o exemplo mais explícito de um vício generalizado: políticos que tratam partidos como se fossem táxis de praça, sempre disponíveis para a próxima corrida rumo ao umbigo. Afinal, em Angola, a fidelidade partidária é tão rara quanto a estabilidade da nossa moeda.

 

E nós, os eleitores, assistimos de camarote, com o bilhete já pago em kwanzas desvalorizados, a este espetáculo tragicómico. No fim, só resta aplaudir com sarcasmo: bravo, Nkondo, mais uma vez conseguiu provar que, no xadrez político angolano, há peças que não jogam para ganhar… jogam apenas para não morrer de fome.