Luanda – O ex-presidente da Endiama, Carlos Sumbula, está no centro de um litígio judicial com a empresa Horizon Royal Diamond, que o acusa de burla e defraudação num negócio avaliado em mais de 78 milhões de dólares. A denúncia, apresentada em Março de 2021, refere que os montantes foram pagos para a aquisição de lotes de diamantes que nunca chegaram a ser entregues.

*Carlos André
Fonte: Club-k.net

Segundo a queixa, Sumbula teria exigido o pagamento de um “prémio” por cada transacção, alegadamente destinado ao então Presidente da República e à sua filha, configurando um esquema que, segundo os denunciantes, reflecte uma prática sistémica de corrupção no sector diamantífero. O processo, registado sob o número 38/GACI/2021, está a cargo da magistrada Constância Lopes Capemba, mas terá desaparecido dos registos da Procuradoria-Geral da República (PGR), levantando suspeitas sobre a transparência e independência do sistema judicial angolano.


A Horizon Royal Diamond operou em Angola entre 2013 e 2016, tendo realizado múltiplas transacções com a Endiama. Até hoje, a empresa afirma não ter recebido os diamantes correspondentes aos pagamentos efectuados, mantendo o litígio aberto e sem resolução judicial.


O caso ganhou nova visibilidade em Julho de 2025, quando, no âmbito das celebrações dos 50 anos da independência, o Presidente João Lourenço condecorou Carlos Sumbula com a medalha da paz e desenvolvimento.

 

Apesar de Carlos Sumbula beneficiar do princípio da presunção de inocência, a decisão de João Lourenço em distingui-lo com uma alta condecoração política foi criticada como incoerente com o discurso oficial de combate à corrupção. Para críticos, o gesto simboliza a contradição entre a retórica reformista e a prática governativa, que continua a premiar figuras sob suspeita em casos de grande impacto económico e reputacional para o Estado.

 

Para analistas, o caso Horizon poderia representar uma oportunidade para expor as fragilidades da Endiama, apontada há décadas como uma das empresas estatais mais opacas do país, funcionando como “cofre privado” de interesses políticos e económicos. No entanto, a falta de esclarecimento e o arquivamento tácito da investigação reforçam a perceção de captura do Estado por redes de poder ligadas ao sector diamantífero.