Luanda - O Presidente do Tribunal da Relação de Luanda, Venerando Desembargador Vidal Romeu Francisco (na foto), é apontado como um dos poucos magistrados que manifestaram solidariedade ativa na tentativa de proteger o ex-Presidente do Tribunal Supremo, Joel Leonardo, procurando ajudá-lo a contornar as acusações criminais que enfrenta na Procuradoria-Geral da República (PGR). Entre as imputações, consta a inclusão de filhos na folha salarial do tribunal, sem vínculo funcional legítimo.
Fonte: Club-k.net
Logo após assumir a presidência do Supremo, Joel Leonardo teria colocado o nome do filho, Vanúr de Abreu Isaú Leonardo, na folha de pagamento da instituição, atribuindo-lhe o cargo fictício de “ajudante de escrivão”. O jovem, então estudante do segundo ano de Direito na Universidade Gregório Semedo, passou a receber mensalmente 275 mil kwanzas, depositados numa conta no Banco de Poupança e Crédito (BPC), sem nunca ter exercido funções na instituição.
Para tentar legitimar a presença do filho nos quadros do sistema judicial, o juiz Vidal Romeu Francisco teria sugerido a sua transferência simbólica para o setor de Recursos Humanos do Tribunal da Relação de Luanda. A medida visaria “legalizar” a situação, permitindo justificar os vencimentos e evitar constrangimentos caso Joel Leonardo fosse chamado a explicar a presença de familiares nas folhas de salário. A atitude de Vidal Romeu é interpretada nos meios judiciais como gesto de gratidão, uma vez que o atual presidente do Supremo teria sido determinante na sua nomeação para a presidência do Tribunal da Relação.
Além do salário como “funcionário fantasma”, Vanúr Leonardo é também gestor da empresa familiar IMPORLAB, LDA, contratada pelo Tribunal Supremo para serviços de limpeza. Entre fevereiro e abril de 2022, a empresa faturou mais de 88 milhões de kwanzas, prestando serviços aos tribunais de comarca de Luanda, o que levanta suspeitas de conflito de interesses e favorecimento empresarial.
As denúncias contra Joel Leonardo não se limitam à gestão das folhas salariais. Em 2020, o magistrado incluiu vários familiares na lista de funcionários que iriam receber apartamentos no novo edifício habitacional situado na Cidadela Desportiva. Embora já dispusesse de uma residência de função no condomínio Boavida, em Luanda, o próprio presidente do Supremo inscreveu-se como o primeiro da lista de beneficiários.
Entre os beneficiários estavam o filho Vanúr Leonardo, o genro casado com Amélia Jumbila Isaú Leonardo Machado, e o sobrinho João Fernando Apolinário, que atua como técnico médio de 3.ª classe no gabinete de Joel Leonardo. João Apolinário é casado com Irina Apolinário, ex-funcionária do BFA, atualmente em exercício como Secretária-Geral do Tribunal Supremo.











