Luanda - Que tempo glorioso para se viver em Angola! Numa nação onde o mérito é finalmente reconhecido, as nossas prioridades estão mais claras do que nunca. Enquanto alguns se preocupam com ninharias, o país demonstra a sua grandeza investindo no que realmente importa.
Fonte: Club-k.net
Os nossos heróis, os campeões do Afrobasket, estão a receber as devidas honras. O nosso estimado Presidente, num gesto de pura magnanimidade, presenteou cada atleta com uma modesta casa avaliada em 80 milhões de kwanzas. Como se não bastasse, a nata empresarial do país juntou-se à festa: o BAI ofereceu 25 milhões de kwanzas a cada jogador, a Unitel acrescentou mais 10 milhões e um ano de internet grátis, e a Sociedade Mineira de Catoca, com o seu brilho característico, contribuiu com 5 mil dólares e jóias de diamante para cada um. É comovente ver o sector público e privado unidos para garantir que os nossos atletas tenham o conforto que merecem.
E os investimentos não param por aí! O futuro do desporto está assegurado com a aprovação de 13,6 milhões de dólares para as obras no Estádio 11 de Novembro. A segurança, pilar da nossa sociedade, também foi reforçada com novas e imponentes viaturas para o SIC. Para coroar este cenário de prosperidade, a nossa economia foi abençoada com acordos de 6,5 mil milhões de dólares com os Emirados Árabes Unidos, e o nosso líder máximo viajou para Nova Iorque, certamente para continuar a sua missão de trazer mais desenvolvimento.
No meio de tantas notícias fantásticas, surge um pequeno contratempo, um detalhe quase insignificante: o Governo, por "falta de verbas", decidiu adiar o início do Programa de Alimentação Escolar.
Mas sejamos razoáveis, é tudo uma questão de gestão e prioridades. As crianças, com a sua energia inesgotável, certamente compreenderão. Podem alimentar-se do orgulho nacional e da glória dos nossos campeões de basquetebol. Afinal, a inspiração de um cesto vitorioso nutre a alma muito mais do que um simples prato de comida, não é verdade?
Primeiro o essencial, depois o acessório. E em Angola, o essencial está, claramente, muito bem definido.













