Luanda -  A Entidade Reguladora da Comunicação Social Angolana (ERCA) existe, em teoria, para regular e fiscalizar os órgãos de Comunicação Social. Na prática, reuniu-se em Luanda a 23 de Setembro para mostrar serviço. Justificar orçamento. Mostrar utilidade ao Estado. O resultado foi o latido de cão de guarda em cinco pontos.

Fonte: Club-k.net

Primeiro ponto. A ERCA “saúda” o acordo entre gestores e trabalhadores. A verdade é: O Tribunal proibiu a greve. Chamaram mordaça a “aproximação de interesses”. Que lata.


Segundo ponto. “Valorizar o empenho do Estado” na expansão do sinal de rádio. Promessa vistosa. Mas sinal sem luz é silêncio. Rádio sem pão é charada. Só o discurso do Executivo funciona a transístor.


Terceiro ponto. Apontaram o dedo ao Novo Jornal por “violação da ética”. Ironia grossa. Todos os dias ignoram a propaganda da TPA e RNA. Jornalismo crítico é pecado. Jornalismo de joelhos é virtude.


Quarto ponto. Derramaram “preocupação” pela miséria dos privados. Lágrimas de crocodilo. Não disseram que é o Executivo quem aperta a garganta. O lamento piedoso é a assinatura do carrasco.


Quinto ponto. Recomendam que o cidadão recorra à lei quando os seus direitos forem violados. Bonito conselho.Pena que seja a mesma lei que o Executivo instrumentaliza para silenciar vozes incómodas. A porta da Justiça é larga na entrada e estreita na saída.

Conclusão. A ERCA não regula. Carimba. Não fiscaliza. Aplaude. Não defende o Jornalismo. Defende o dono do microfone.