Luanda - O autodenominado Movimento do Protectorado Português da Lunda Tchokwe (MPPLT) vive um período de instabilidade interna, marcado por divergências em torno da liderança de José Mateus Zecamutchima.

Fonte: Club-k.net

Em comunicado enviado ao portal Club-K, o Comité Nacional do MPPLT anunciou a realização, em breve, de um congresso eletivo para a escolha de um novo presidente, na sequência da destituição de Zecamutchima. A estrutura afirma que a convenção promovida pelo atual líder foi invalidada por não respeitar os preceitos estatutários da organização.

O Comité assegura estar a trabalhar para “transpor as incertezas no quadro de direção”, preservando o prestígio da organização e reforçando a luta pela autonomia do povo Lunda. Apelou ainda à serenidade dos militantes, simpatizantes e parceiros sociais, prometendo ultrapassar a atual crise interna.

A destituição do presidente foi anunciada oficialmente a 18 de setembro, após o Comité Central acusar Zecamutchima de violar os estatutos da organização.

 

Zecamutchima rejeita afastamento

Por sua vez, José Mateus Zecamutchima desmentiu a sua destituição, classificando as informações como “falsas, infundadas e sem qualquer respaldo estatutário”.

Num comunicado divulgado a 2 de outubro, a direção assegura que “em momento algum o Comité Central reuniu para deliberar sobre tal matéria”, garantindo que Zecamutchima continua a ser o presidente legítimo do MPPLT.

 

Convenção extraordinária e acusações internas

Segundo a mesma nota, nos dias 8 e 9 de setembro realizou-se em Luanda a Iª Convenção Extraordinária do MPPLT, sob o lema “Um chamado à Ação pela Autonomia da Nação Lunda Tchokwe”, que visava reestruturar a organização após a fragilidade causada pela prisão do líder em 2021.

Após a convenção, foram feitas mudanças na estrutura central, incluindo a Secretaria-Geral. Um grupo de seis militantes insatisfeitos teria reagido com a divulgação de informações sobre uma suposta destituição do presidente. A direção acusa-os de serem “colaboradores do SINSE e militantes do MPLA em Cafunfo”, envolvidos em campanhas de difamação contra Zecamutchima.

Entre as alegações apontadas estariam acusações de corrupção e de ligações partidárias, consideradas pelo MPPLT como “caluniosas e fabricadas”.

 

Disputa de influência e reafirmação do mandato

A direção denuncia ainda tentativas de manipular autoridades tradicionais da região da Lunda Tchokwe, que enquadra como manobras com motivações étnicas e regionalistas.

O Movimento reiterou não se tratar de um partido político, mas de uma organização que luta pacificamente pela autonomia da Lunda. Acrescentou que a sua presença em atividades de outros partidos, quando convidado, “não significa alinhamento político nem prática de corrupção”.

Por fim, a direção anunciou a realização de uma conferência de imprensa nas próximas horas para esclarecer equívocos e reafirmar que Zecamutchima permanece como líder legítimo do MPPLT.