Luanda — O ativista social Rafael Morais, coordenador da organização SOS Habitat, lançou um manifesto público exigindo que o Estado angolano reconheça e condecore os cidadãos comuns que contribuíram para a construção da nação, mas que permanecem esquecidos pela história oficial.
Fonte: Club-k.net
Intitulado “Também merecemos ser condecorados”, o texto denuncia o que Morais chama de injustiça histórica, ao destacar que os rostos anônimos — mulheres, soldados, viúvas, médicos, trabalhadores e ativistas — também deram sangue, suor e lágrimas pela pátria, mas nunca receberam reconhecimento formal.
“Não foram apenas os rostos conhecidos que construíram esta pátria. Foram também os anônimos, os invisíveis, os esquecidos”, afirma Morais no documento.
O ativista critica o sistema de condecorações que privilegia figuras ligadas ao poder político e militar, enquanto ignora os que atuaram nas frentes silenciosas da guerra e da reconstrução nacional. Ele questiona os critérios que transformam alguns em heróis oficiais e deixam outros como figurantes apagados da memória coletiva.
Morais lembra os médicos que improvisaram hospitais em ruínas, os soldados que regressaram mutilados ou nunca voltaram, as viúvas que esperaram por maridos desaparecidos, e os filhos que cresceram entre escombros, como exemplos de coragem e sacrifício que merecem ser reconhecidos.
O manifesto também faz um apelo à revisão da narrativa histórica oficial, defendendo que a verdadeira liberdade e reconciliação só serão possíveis quando todos os que contribuíram forem lembrados e valorizados.
“Não há verdadeira justiça enquanto os que deram a vida mesmo sem medalhas não forem reconhecidos”, conclui Morais.
A declaração surge num momento em que o país se prepara para novas condecorações oficiais, reacendendo o debate sobre quem são os verdadeiros heróis da nação e como o Estado deve lidar com as memórias silenciadas da sua história recente.










