Luanda - Página Um – HUMILHAÇÃO À CARTA. Carlos São Vicente fragilizado. Paragem cardiorrespiratória. Internado na Clínica Girassol. Médicos em alerta. Quarenta e oito horas depois: Arrastado para a prisão. Ordens superiores mandam. Risco de vida, detalhe menor. Médicos coagidos. Esposa ignorada. Seguro de saúde, piada burocrática. Maria Eugénia Neto quis visitar. Recusaram. Angola: Prisioneiros viram troféus políticos. Agentes interpretam ordens como lei divina. O Estado mostra a cara. Mas não a consciência. Humilhação institucionalizada. O cidadão observa. Perplexo. Na terra das “Ordens Superiores”, a humanidade é opcional. A rotina segue. Silenciosa. Sarcástica. Cruel. Dinheiro gasto em cuidados ignorado. Dinheiro gasto em poder celebrado. Prisão. Humilhação e “Ordens Superiores”: Triângulo perfeito da administração moderna. O País aprende. Mesmo sem querer.

Fonte: Club-k.net

Página Dois – FEL SERVIDO. Idalina Valente chefiou recentemente uma delegação do Bureau Político do MPLA a Benguela. Levava o estandarte do partido. Levava discurso de proximidade. Levava promessas de escuta. O encontro podia ter sabor de framboesa. Mas não teve. Soube a fel. O empresário Jorge Gabriel trocou-lhes as voltas. Não serviu chá com açúcar. Falou sem filtros. Sem corantes. Sem conservantes. Disse tudo com vogais e consoantes bem abertos e a sua voz tronitruante: O Executivo local deve muito. Deve a todos. Não paga a ninguém. As dívidas acumulam-se. Estrangulam empresas. Cortam crédito. Matam a iniciativa privada. O Estado virou freguês de mercado: Enche o saco. Mas nunca paga a conta. Conta fiada não paga. Nem que seja de camarada. Tudo porque as contas ficam penduradas no cabide da indiferença. Idalina Valente e a comitiva ouviram. Tomaram notas. Acenaram. Sorriram. Foram-se embora. As dívidas ficaram. O silêncio também.

Página Três – ANJOS VS RESTOS DE FRANGO. Isaac dos Anjos: Rara avis. Pensa sozinho. Fala claro. Voz angelical contra a humilhação de importar restos de frango. Importar restos prejudica todos. Frango inteiro processa-se em Angola. Valor local. Agroindústria agradece. O País também. No meio do conformismo político aponta soluções. Enquanto outros lambem ossos e comem restos, ele mostra o prato inteiro. Em entrevista concedida ha poucos dias a TPA disse: “Restos não alimentam um País. Indústria sim.” Isaac dos Anjos. Pupilo do engenheiro Fernando Marcelino, formado na Faculdade de Agronomia da Universidade Agostinho Neto na Chianga-Huambo. Corta discursos rasos e conveniências. Observa-se coragem. Poucos no Executivo ousam pensar antes de repetir ordens. Poucos. Muito poucos. Um Anjo contra restos de frango. Simples. Directo. Devastador.


O País escuta. Entre risos e indignação. O óbvio ainda pode ser dito. Quem tiver ouvidos, ouve. Quem quiser aprender, aprende.

Página Quatro – OLHO DE MOSCOVO. Mário Oliveira cortou a fita. Sorriso largo. Flashes a piscar “Transformação digital”, anunciou. Palmas. Tape-se o nariz do cidadão-eleitor. Dados do Estado expostos. Vulneráveis. Omitiu soberania digital em perigo. Espionagem. Sabotagem. Chantagem. Tudo a um clique. O “Olho de Moscovo” tem licença oficial para vigiar cada byte. Angola digital. Mas sempre com olhos externos a espiar. Intervenções técnicas possíveis. Pressões externas garantidas. Crise política ou sanções: Uma ordem remota apaga o País. O ministro sorri e acena. Acredita em progresso. Progresso para quem observa de fora. O Estado confia na fachada. Brilho engana. Sombra mata. Torre tecnológica cheia de brilhos e sombras perigosas. Modernidade apenas no cartaz. O País brinca aos dados digitais. Alguém vai pagar a factura.

 

Página Cinco – TAAG: AVIÕES AO LIXO. A TAAG está sempre a subir… para baixo. Cada voo é desastre anunciado. A companhia de bandeira só dá bandeira branca e despregada. Aviões novos directos para o lixo. Prejuízo monumental. O pouco que factura evapora-se em contas sem sentido. Utentes reclamam. Ministério finge não ouvir. O Executivo entretido com o sol de “Manhã de Domingo”. Política é selfie e discurso ensaiado. Sem estratégia. Sem plano. Só caos elegante. Gestores trocam assentos por poltronas de luxo. Desbunda institucional. Até ninguém lembrar que a TAAG transportava pessoas, não dinheiro público. Passageiros acumulam atrasos. Frustração.
O dinheiro do Estado voa mais alto que qualquer avião. Risco zero. Lucro negativo. Riso garantido. O País aplaude o circo aéreo. Buraco no bolso, espectáculo garantido.

 

Última Página – GALINHEIRO EM LUANDA. Poleiro pronto. Vários galos. UNITA prepara XIV Congresso Ordinário. Galos agitam cristas. Poeira sobe. Bicam concorrentes. Adalberto Costa Júnior quer manter a direcção. Concorrentes afastados à força ou com cochicho de bastidores. Faltam 54 dias. Muitos cacarejos garantidos. Nem todos cantam ao amanhecer. Alguns atacam na escuridão. O País observa. Fascinado pelo circo das cristas eriçadas. Entre sussurros e intrigas, drama supera solução. O poder ou espectáculo. Diferença mínima. Militantes riem por dentro ou engolem poeira. Bastidores fervilham. Liderança é crista e teatro. Quem grita mais alto nem sempre vence. Mas diverte-se. Circo político pago pelo cidadão. Espectáculo sangrento. Galinheiro à angolana: Cacarejos. Poeira e muita fingidice.