Luanda - Entre os dias 28 e 31 de Outubro de 2025, a Baía de Luanda será o palco de um dos mais importantes encontros sobre o desenvolvimento do continente: a Luanda Financing Summit for Africa’s Infrastructure Development, organizada sob o patronato do Presidente da República de Angola e Presidente em exercício da União Africana, João Manuel Gonçalves Lourenço, em coorganização com a Comissão da União Africana (AUC) e a Agência de Desenvolvimento da União Africana (AUDA-NEPAD). Este evento representa um marco histórico, colocando Angola no centro do debate sobre o futuro económico e infraestrutural de África.

Fonte: Club-k.net

A Cimeira, subordinada ao tema “Capital, Corredores e Comércio: Investir em Infra-estruturas para a Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) e a Prosperidade Partilhada”, pretende mobilizar capital público e privado para acelerar a integração regional e a modernização das infra-estruturas do continente. Trata-se de uma plataforma que vai reunir chefes de Estado, ministros, investidores, instituições financeiras internacionais, bancos multilaterais e representantes do sector privado, num esforço conjunto para transformar intenções em investimentos concretos.

Para Angola, a organização desta Cimeira tem um duplo significado: além de reforçar o papel do país como hub estratégico e económico da região, oferece uma oportunidade única de apresentar ao mundo o seu portfólio de projectos prioritários — portos, estradas, energia, digitalização e mobilidade — e atrair o financiamento necessário para sustentar o crescimento e diversificação económica.

A verdade é que, apesar do potencial e das oportunidades, África continua a enfrentar enormes desafios no financiamento das suas infra-estruturas. O continente necessita de cerca de 130 a 170 mil milhões de dólares por ano para cobrir as suas necessidades básicas, mas apenas consegue mobilizar cerca de 80 mil milhões de dólares anuais, segundo dados do Banco Africano de Desenvolvimento e da UNECA. Isto significa uma lacuna de financiamento de 70 a 90 mil milhões de dólares por ano. Essa diferença reflecte as dificuldades de acesso a capital devido ao elevado custo do dinheiro, à percepção de risco político e cambial, à fraca preparação de projectos e à limitada capacidade institucional.

Para Angola, esses desafios são ainda mais visíveis devido à dependência das receitas petrolíferas, às restrições fiscais e à necessidade de fortalecer a confiança dos investidores. O custo elevado do capital, os prazos curtos de financiamento e a ausência de um número suficiente de projectos prontos para investimento (“bancáveis ”) dificultam a obtenção de recursos em condições favoráveis. Além disso, a dívida pública crescente em vários países africanos limita o espaço orçamental para novos investimentos.

A Cimeira de Luanda oferece uma oportunidade concreta para mudar este cenário. Para tirar o melhor proveito, Angola e os demais países africanos devem apresentar projectos sólidos, bem estudados, sustentáveis e alinhados com as prioridades continentais, como o Programme for Infrastructure Development in Africa (PIDA) e a AfCFTA. É essencial apostar em parcerias público-privadas, em modelos de "blended finance" que combinem capital concessional e comercial, e em instrumentos de mitigação de risco que possam atrair investidores privados.

Além disso, é fundamental reforçar a credibilidade macroeconómica, a transparência e a boa governação. Investidores procuram estabilidade, segurança jurídica e garantias de execução. Ao mesmo tempo, Angola deve explorar o potencial de integração regional — projectos que liguem o país aos vizinhos e ampliem os corredores de transporte, como o Corredor do Lobito — para aumentar a escala e o impacto das suas iniciativas.

A Cimeira será também um momento ideal para firmar parcerias, assinar memorandos de entendimento e lançar compromissos concretos de financiamento, demonstrando ao mundo o compromisso político e institucional de Angola com o desenvolvimento sustentável e a integração continental.

Em suma, a Luanda Financing Summit pode marcar o início de uma nova era para Angola e para África. É o momento de transformar palavras em obras, ideias em estradas, e compromissos em investimentos reais. Se Angola souber capitalizar esta oportunidade, poderá não apenas captar financiamento para as suas infra-estruturas, mas também consolidar-se como um dos pilares centrais da integração económica africana, promovendo o crescimento, a competitividade e o bem-estar dos seus cidadãos.

A Cimeira de Luanda não é apenas um evento — é um símbolo de viragem e de esperança. É o momento de Angola liderar e inspirar o continente a construir, com solidez e visão, as bases do seu futuro.