Luanda - Lembro-me que, na III Legislatura da Assembleia Nacional o Eng.o Adalberto Costa Júnior era o Presidente do Grupo Parlamentar da UNITA. Eu, na mesma altura, ocupava o Cargo de Quatro Vice-Presidente da Assembleia Nacional. Naquela época o ACJ era uma grande Estrela no Parlamento. As suas intervenções eram estrondosas, mexendo com o Plenário, cativando e inspirando a opinião pública em todo o país. O seu eco tinha a ressonância na Comunidade Internacional. Perante esta realidade, o Grupo Parlamentar do MPLA atrapalhava-se, sem ter a capacidade de réplica. A popularidade do ACJ ganhava o ímpeto constante, como um «ícone emergente», que chamava a atenção de toda gente.

Fonte: Club-k.net

Neste âmbito, a Cidade Alta entrava constantemente em pânico com a influência crescente do ACJ. Para estancar este Gigante político, a Cidade Alta mandou o Presidente da Assembleia Nacional para que o Presidente da UNITA pudesse substituir o ACJ no cargo de Presidente do Grupo Parlamentar. Dizendo que, o ACJ estava a embaraçar o Governo. Eu soube que o Presidente da UNITA declinou o Pedido da Cidade Alta. Curiosamente, foi no mesmo período em que a Comitiva do Grupo Parlamentar da UNITA (chefiado pelo próprio ACJ) foi emboscada nas áreas da Ganda, em Benguela, com o objectivo de matá-lo.


A perseguição ao ACJ não parou por aí, seguiu o seu rumo até em 2021 quando o Tribunal Constitucional protagonizou um “Acto Inédito”, de cariz arbitrário, caracterizado pela anulação do XIII Congresso da UNITA, que elegeu o ACJ com uma maioria qualificada. Apesar de tudo isso (parecia um furacão), a popularidade do ACJ crescia verticalmente em todo o espaço nacional. Em 2022 a UNITA ganhou plenamente as eleições gerais, tendo conquistado as Províncias de Luanda, do Zaire e de Cabinda – Zonas de grande importância da geoestratégia mundial.


Para dizer que, o potencial político do ACJ começou há muito tempo, mesmo quando ele andava em Lisboa e em Roma, como Embaixador da UNITA, em representação do Presidente Fundador, junto do Governo Português e do Vaticano, respetivamente. Muito cedo o Presidente Fundador, Doutor Jonas Malheiro Savimbi, apercebeu-se do potencial político e diplomático do ACJ. Nos círculos internos do Corpo Diplomático da UNITA, a personalidade do ACJ era uma das grandes referências, bem valorizada e dignificada pelo Presidente Fundador. Tratava-lhe de um político de peso e promissor.


De facto, o ACJ é uma personalidade excepcional e ímpar, que sabe lidar bem com situações difíceis e complexas, sem perder o equilíbrio e a sua visão estratégica. Ele traz consigo o espírito humano muito forte, enraizado nos valores da solidariedade, da ética, da moral e da fé cristã. Notei nele o tacto apurado de aproximar as comunidades locais, mergulhar-se nelas, ouvi-las, cativa-las e transmitir claramente a sua mensagem.


Aliás, o ACJ é uma figura atraente e carismática, um grande orador e um comunicador poderoso. Ele cativa e inspira grandes audiências. A Conferência de «100 Makas», um Fórum Económico que foi organizado pelo economista de renome, Carlos Rosado de Carvalho, foi uma grande Arena Económica na qual o ACJ manifestou, com mestria, as suas faculdades políticas, económicas, intelectuais e profissionais. Um Homem de memória de elefante, cujo cérebro está cheio de estatísticas e de base de dados.
O seu empenho convincente, naquele evento, sacudiu a opinião publica nacional e internacional. Qualquer angolano, de boa-fé e de bom senso, deve sentir-se orgulhoso por ter um dirigente competente e culto, de calibre de ACJ. Ele mostrou naquele Fórum de alto nível, não somente o domínio da economia angolana, mas sobretudo, as soluções concretas e realistas que ele colocou na mesa.


O mais interessante, do ACJ, é a sua habilidade de conjugar os factores socioeconómicos com os factores sociopolíticos, bem como conjugar a política nacional com a política internacional. Ele engaja a comunidade internacional, envolvendo-se na diplomacia de proximidade e proativa. O ACJ busca os factos concretos do mercado angolano e são trazidos à superfície, na arena internacional.


Este procedimento pragmático do ACJ tem o impacto tremendo sobre a diplomacia económica angolana, que por sinal assenta na manipulação de dados, que não estão adequados à conjuntura do mercado angolano. Logo, a diplomacia do ACJ trouxe à superfície as mazelas gravíssimas da Governação do MPLA. Isso permitiu elevar a diplomacia da UNITA aos patamares da época da Guerra Fria. Como sabemos, naquela altura a diplomacia da UNITA superava a máquina pesada da diplomacia do MPLA, apoiada pelas multinacionais petrolíferas.


No domínio da política interna, nos recordemos da XVI Conferência de Quadros que teve lugar nas margens do rio Lungué-Bungo na fase derradeira da Guerra Civil, em 2001, durante a qual o Presidente Fundador falou detalhadamente (de modo emocionante) sobre os passivos da guerra. Quer dizer, os «passivos da guerra», dos quais os três Movimentos de Libertaçao (FNLA/MPLA/UNITA) estiveram implicados (de igual modo) têm consequências sociopsicológicas devastadoras sobre a memória coletiva do Povo Angolano.


Porque, de grosso modo, os passivos da guerra deixaram marcas, cicatrizes e feridas profundas em todas as famílias angolanas, sem exceção nenhuma. Por isso, este fenómeno deve chamar a nossa atenção especial, para que, nas nossas decisões estratégicas, possamos ter a sensibilidade humana e agirmos com prudência e humanismo. O tempo traz tudo e coloca tudo no seu devido lugar. Por isso, torna-se imperativo saber escolher bem o «timing» quando agimos e quando tomamos as decisões de relevo. Pois, o que é viável amanhã, não é exequível hoje, o que pode fazer hoje, não se pode fazer amanhã. Esta é a lógica dialética.


Internamente, muitos de nós ficamos envolvidos (directa ou indiretamente) nos passivos da guerra, neste longo e sinuoso percurso. Neste caso específico, o ACJ não carrega consigo o fardo pesado dos passivos da guerra conforme acontece com cada um de nós, na sua condição histórica. Além disso, o ACJ não se enquadra na problemática da «micro etnia» entre o Bié e o Huambo, que corrói a unidade, a coesão e a estabilidade interna do Partido. Aliás, o Nacionalismo Angolano nasceu do Preconceito do Etnocentrismo Cultural, que abalou fortemente os alicerces da Luta pela Independência Nacional.


Se não vejamos, cinquenta (50) anos (1975-2025) após a Independência Nacional, Angola continua mergulhada na «discriminação etnocultural» que caracteriza a definição e a atribuição das Medalhas de Honra e de Independência, em categorias discriminatórias dos Libertadores da Nação Angolana, num claro preconceito da supremacia étnica e cultural, que enferma a Doutrina Filosófica do MPLA.


Isso deve despertar a consciência patriótica de todos os Angolanos de bom senso, que amam a sua Pátria, imbuídos do espírito patriótico de unidade nacional, da paz e da reconciliação nacional. A UNITA deve saber interpretar corretamente este sinal evidente de revanchismo, de exclusão, de humilhação, de intolerância e de discriminação étnico cultural. Um Angolano nato e patriota, na qualidade de Chefe de Estado, não pode honrar os estrangeiros e desprezar os libertadores da Pátria na base partidária ou étnica. Isso só acontece num país de cultura crioula, de mentalidade assimilada e alienada, que não assenta na herança cultural angolana, de matriz ancestral.


Retomando o assunto, dentro da UNITA, o ACJ conseguiu de restabelecer o equilíbrio geográfico, cultural, racial, étnico e linguístico que o Presidente Fundador sempre defendeu desde a luta anticolonial. Muitas famílias, que andaram à margem do Partido, conseguiram de regressar à Casa, junto da nossa grande família, sentirem-se confortadas e valorizadas. Acima de tudo, o ACJ abriu muitos espaços socioculturais que eram difíceis de penetrar e implantar-se neles.


Nesta altura, o Partido precisa da «continuidade» para consolidar as suas conquistas alcançadas, sobretudo no domínio da integridade e da soberania do Partido. Isso permite inspirar a confiança nos eleitores e nos investidores estrangeiros. Nisso, o ACJ tem sido um incansável mobilizador de vontades e um grande diplomata, com capacidade excepcional de motivação e de equilíbrio, respetivamente.


Em suma, devemos apostar-se na política de abertura e de aproximação, que nos permite agir com pragmatismo, perceber bem os fenómenos globais, não ficarmos distraídos para não cairmos nas armadilhas do regime, que sempre tem os seus olhos postos sob à UNITA, para descobrir as suas lacunas, domestica-la, instrumentalizá-la e implodi-la. Para este efeito, devemos «seguir à risca a orientação» do Presidente Fundador, que dizia, cita: “Quando eu não estiver entre vós, escolham sempre aquele que o vosso adversário não gosta.” Fim de citação. Nesta base, eu acho que tudo esteja bem esclarecido.

Bem- haja ACJ.


Luanda, 28 de Outubro de 2025.