Luanda - O ativista angolano Osvaldo Kaholo suspendeu a greve de fome, disse à DW a irmã Elsa Kaholo. Mas o ativista não exclui um novo protesto na cadeia. A greve era um protesto contra a violação dos seus direitos na prisão.
*Manuel Luamba
Fonte: DW
O ativista angolano Osvaldo Kaholo esteve dez dias em greve de fome. Começou o protesto a 20 de outubro, contra a extensão da prisão preventiva e a alegada violação dos seus direitos na cadeia.
Segundo a irmã do ativista, Elsa Kaholo, houve "melhorias das condições" no estabelecimento prisional.
"Colocaram um televisor, ele já tem acesso a comunicação e aumentaram o tempo de visita. Estes foram alguns motivos que o fizeram terminar com a greve de fome", relata.
Caholo terá também decidido parar com o protesto em solidariedade com Oliveira Francisco, secretário Nacional para Mobilização da JURA - braço juvenil da UNITA, detido após os tumultos de julho durante a greve dos taxistas contra o aumento do preço do combustível e que é acusado de terrorismo e associação criminosa.
"Também estava a fazer greve de fome, passou mal e, em solidariedade, Osvaldo decidiu parar a greve de fome", acrescentou a irmã.
Esta foi a segunda vez que o ativista Osvaldo Kaholo declarou greve de fome. Em agosto, também decidiu fazê-lo em protesto contra a sua detenção, que considera injusta.
Detido a 19 de julho deste ano e transferido nos dias seguintes para a prisão de Kalomboloca, província de Ícolo e Bengo, Kaholo é acusado de incitação à violência e apologia ao crime de rebelião.
Elsa Kaholo explica que o seu irmão espera que os seus direitos e liberdades continuem a ser garantidos, caso contrário,"ele diz que, se houver necessidade, a qualquer momento voltará à greve de fome".
Osvaldo Kaholo sonha ser Presidente de Angola
Além de Osvaldo Kaholo, Francisco Paciente e Rodrigo Catimba, presidente e vice-presidente da ANATA – considerados "presos políticos" – também aguardam julgamento nas cadeias.
Maria Catimba, irmã mais velha do vice-presidente da ANATA, mostra-se preocupada com a situação e aguarda uma resposta do Governo.
"O advogado dele, que a família contratou, está a trabalhar no processo. Como isso é político, então, temos de esperar mesmo a ordem do nosso Presidente da República. Ele continua mesmo preso. Ainda não saiu", lamenta Catimba.
Cláudio Fortuna, investigador do Centro de Estudos Africanos da Universidade Católica de Angola (UCAN), considera que o Estado devia aproveitar as comemorações dos 50 anos de independência para amnistiar os presos de consciência.
"Sobretudo aqueles que têm a ver com o chamado delito de opinião, apesar de que essa cautela resulta do facto de tentar se redimir as pessoas que eventualmente possam embalar nessa lógica para fazer manifestações", defende.











