Luanda - Carolina Cerqueira, que nas próximas horas cederá a Adão de Almeida a presidência da Assembleia Nacional, ainda não decidiu se cumpre se suspende ou se renuncia ao sem mandato de deputada.

Fonte: Club-k.net

O Bureau Politico do MPLA decidiu, quinta-feira, 13, o afastamento de Carolina Cerqueira da presidência da Assembleia, funções que exerce desde Setembro de 2022.


No dia anterior, 12, Carolina Cerqueira foi chamada de urgência à sede do seu Partido, o MPLA, para ser informada de que trocaria a cadeira com Adão de Almeida. Foi o próprio Presidente do Partido, João Lourenço, quem lhe a amarga notícia. Quando recebeu a chamada telefónica para ir urgentemente ao “Kremlin”, a ainda presidente da Assembleia Nacional estava à mesa do almoço com a sua homóloga de Moçambique, Margarida Adamugy Talapa.


Desiludida com a direcção do MPLA não apenas pela ausência de explicações plausíveis para a sua repentina defenestração, mas também pelo momento escolhido para ser convocada à sede do Partido, Carolina Cerqueira está neste momento a balançar entre duas opções: suspender ou renunciar ao mandato. Cada uma das opções tem implicações jurídicas próprias.


Ainda sem tomar nenhuma decisão definitiva, Carolina Cerqueira já, no entanto, disseminando a sua desilusão com João Lourenço, a quem está ligado por laços de amizade.


Antes de alça-la a presidente da Assembleia Nacional, o que fez da antiga jornalista da Rádio Nacional de Angola a terceira figura do Estado, no seu primeiro Executivo João Lourenço manteve Carolina Cerqueira como ministra da Comunicação Social e depois promoveu-a a ministra de Estado para a Esfera Social.


Em 2023, Carolina Cerqueira bateu-se denodadamente contra a destituição do Presidente da República, pretendida pela bancada parlamentar da UNITA.


Em defesa do seu líder, Carolina Cerqueira até atropelou regras procedimentais da Assembleia Nacional.


Embora a hipótese não tivesse muitos adeptos entre os próprios militantes do MPLA, o nome de Carolina Cerqueira também foi incluído entre os muito supostos candidatos à sucessão de João Lourenço na presidência da República.


Até o ainda desconhecido episódio que provocou o seu inesperado afastamento da liderança da Assembleia Nacional, a lealdade de Carolina Cerqueira a João Lourenço nunca foi questionada. Nem mesmo o facto de ter laços familiares muito próximos com Higino Carneiro, cuja casa frequenta assiduamente, suscitou dúvidas quanto à sua lealdade.

O abrupto afastamento de Carolina Cerqueira da presidência da Assembleia Nacional significa que perdeu a confiança política do líder.


E é a consciência de que já não conta com a confiança política do líder que coloca Carolina Cerqueira diante do dilema de decidir se suspende ou renuncia ao seu mandato parlamentar.
Outra grande dificuldade que se colocaria a Carolina Cerqueira seria justificar uma ou outra opção.


O afastamento da presidência da Assembleia Nacional não lhe retira e nem sequer suspende o mantado que (pretensamente) lhe advém do voto popular. Como explicaria a suspensão ou, no limite, a renúncia ao mandato?


A resposta será conhecida nos dias posteriores à passagem do “bastão” a Adão de Almeida.


“Ela está sem força; sente-se apunhalada pelas costas por alguém em que ela confiou plenamente. É por isso que não sabe se fica ou se renuncia ao mandato”, segundo resumiu ao Club-K uma fonte familiar a Carolina Cerqueira.