Luanda – Um artigo de opinião intitulado “O Peso da Esmeralda”, publicado recentemente pelo portal Tribuna de Angola — frequentemente associado a posições próximas do Executivo — lançou críticas contundentes ao Procurador-Geral da República (PGR), Hélder Pitta Grós, acusando-o de comprometer o processo de combate à corrupção e de dificultar a recuperação de ativos desviados do Estado angolano até 2015.

Fonte: Club-k.net

 ‘ACÇÃO PSICOLÓGICA’  FAZ DURAS CRITICAS 

Segundo o texto, a recuperação do património público saqueado durante o período mais crítico da crise de corrupção está “dificultada por incapacidade e notadas cumplicidades” atribuídas ao PGR. O portal sustenta que a Procuradoria não tem conseguido apresentar resultados consistentes nos processos relacionados com os chamados “marimbondos” — termo usado para designar figuras de alto perfil envolvidas em escândalos de corrupção.


O artigo vai mais longe ao insinuar que as dificuldades enfrentadas pela Procuradoria não se devem apenas a limitações técnicas, mas também a alegadas cumplicidades internas que estariam a comprometer a eficácia das investigações. Hélder Pitta Grós teria, segundo o texto, recebido orientação de “conceituados instrutores” nos “corredores de Lisboa”, com o intuito de minar processos sensíveis, sugerindo uma influência externa indevida sobre decisões judiciais.


Estas acusações surgem num momento em que sectores da sociedade civil e observadores internacionais têm manifestado crescente preocupação com o ritmo da luta anticorrupção em Angola. Para o Tribuna de Angola, o desempenho da Procuradoria está a criar entraves à recuperação financeira do país, dificultando o resgate de ativos essenciais para aliviar a pressão económica herdada de ciclos anteriores. Importa recordar que o Tribuna de Angola foi inicialmente criado como uma plataforma de combate mediático contra figuras do antigo governo de José Eduardo dos Santos, com especial destaque para a sua filha, Isabel dos Santos, tendo-se notabilizado por divulgar conteúdos   que visavam descredibilizar os seus aliados e redes de influência.


Embora o Executivo mantenha publicamente confiança nas instituições judiciais, o artigo sugere que a Procuradoria se tornou um dos principais obstáculos ao esforço reformista iniciado em 2017. A crítica insere-se num discurso mais amplo promovido pelo portal, que defende uma “refundação do Estado” e uma aceleração das reformas políticas, económicas e institucionais.


Geralmente, o Tribuna de Angola dirige críticas a membros do regime apenas quando estes se encontram em crise ou em vias de afastamento, como aconteceu com o general Higino Carneiro, após este anunciar a sua candidatura à liderança do MPLA. Em contraste, são raras — ou mesmo inexistentes — as críticas dirigidas à rede de tráfico de influência e extorsão que operava no Tribunal Supremo, então liderado pelo ex-juiz presidente Joel Leonardo, figura considerada próxima e estimada pelo Presidente João Lourenço.