Luanda - Os órgãos de comunicação social públicos e privados, noticiaram, nesta segunda-feira, 17 de novembro, que a justiça angolana inocentou o general Hélder Vieira Dias Júnior “Kopelipa” dos crimes pelos quais respondia no Tribunal Supremo. O mesmo Tribunal entendeu condenar o senhor Leopoldino do Nascimento, conhecido por “Dino”, a uma pena de cinco anos e seis meses de prisão, com execução suspensa.
Fonte: Club-k.net
Ao absolver Kopelipa dos crimes de que vinha sendo acusado, o Tribunal Supremo tomou decisões que evidenciam a sua própria irresponsabilidade e falta de autonomia e independência por não se colocar acima do pedestal do combate à impunidade, corrupção, ao crime organizado e à insegurança pública, de forma eficaz e corajosa. Assim, transformou Kopelipa numa espécie de vítima da justiça e de uma suposta cabala política.
Estamos todos recordados do quão poderoso e temido era o senhor Kopelipa, frequentemente confundido com o verdadeiro Presidente da República de Angola — o homem que controlava José Eduardo dos Santos e ajudou a enfraquecer as instituições do Estado, através de um Estado paralelo montado no “futungo”.
Importa sublinhar que Kopelipa não foi absolvido por ausência de crimes, muito provavelmente beneficiou de um arranjo político, tendo em conta o momento turbulento que se vive dentro do MPLA. Este homem não é, e nunca foi, inocente de nada. É corresponsável pela destruição da vida dos angolanos e do estado em que colocaram o país, totalmente refém dos grupos económicos, bancos, corporações, fundações e organizações internacionais com fortes interesses em Angola.
Um dos maiores privilégios dos criminosos de fato e gravata em Angola é precisamente a impunidade concedida pelo próprio sistema. Se a lei, a justiça e as instituições do Estado tratam os criminosos engravatados como vítimas do sistema judicial, não é surpresa para os cidadãos que esses profetas do crime e da corrupção se vejam a si mesmos dessa forma — e que voltem a cometer outros crimes oportunamente, desde que isso contribua para a manutenção do MPLA no poder.
Mais uma vez, perante esta impunidade, o cidadão percebe que os profetas do crime organizado não só cometem crimes, como também criaram o Direito Penal angolano, a polícia, controlam Magistrados e juízes, até os manuais e os cursos sobre como delinquir e sair impune. E, para piorar, continuam a ser objecto de atenção dos legisladores, da comunicação social, dos bajuladores e dos intelectuais orgânicos, de escritores e de artistas do sistema.
Tom Burgis, jornalista britânico, no seu livro “A Pilhagem de África”, publicado em 2015, nas páginas 29 a 32, descreve o envolvimento de José Eduardo dos Santos, Hélder Vieira Dias Júnior (Kopelipa), Manuel Vicente e o general Dino no roubo de mais de 32 mil milhões de dólares norte-americanos, uma quantia superior ao “Produto Interno Bruto de 43 países africanos, equivalente a um em cada quatro dólares gerados anualmente pela economia angolana.”
Segundo o autor, grande parte do dinheiro em falta correspondia a despesas não registadas da Sonangol, 4,2 mil milhões de dólares ficaram completamente por justificar.
Através da empresa Grupo Aquattro Internacional, pertencente a Manuel Vicente, Kopelipa e general Dino, denunciada pelo Maka Angola num relatório de 2011, assinado pelo kota Rafael Marques, Kopelipa é descrito como um dos grandes profetas da corrupção, beneficiando-se do erário público através de esquemas obscuros de compra de armas e do controlo do Gabinete de Reconstrução Nacional (GRN). Foi justamente esse esquema de corrupção que na altura resultou no afastamento e prisão do general Fernando Garcia Miala, que respondia pelo departamento do SIE, devido a ganância de Kopelipa, Zé Maria, Veríssimo e tantos outros.
É possível que existam diversos documentos e provas que atestam o seu envolvimento nos desvios de fundos públicos e abuso de confiança. Kopelipa só não foi encarcerado, deve ter beneficiado de uma decisão política saída da presidência da República, e não por falta de elementos suficientes sobre a sua participação nos escândalos de corrupção e desvios de dinheiro público.
Absolver este criminoso do mais alta calibre do crime, em vez de o enjaular, confirma-se que a justiça em Angola, além de selectiva, privilegia criminosos de fato e gravata com atribuição de certificados de impunidade. Repito, Kopelipa não foi absolvido por falta de supostas provas, possivelmente beneficiou de um arranjo político, por ordens de João Lourenço, que pretende evitar ainda mais crises internas no MPLA.
Lamentavelmente, o Tribunal Supremo não fez justiça. Praticou injustiça ao ignorar o sofrimento do povo, verdadeira vítima destes profetas da corrupção e ladrões da república, ao não condenarem o general Kopelipa a uma pena máxima de prisão efectiva, tendo em conta tudo o que fez de mal contra o povo angolano que sente às consequências dos abusos praticados por eles.
Por Dito Dalí












