Luanda — O Tenente-Coronel Daniel Afonso Neto, Presidente do Conselho de Administração da empresa Konda Marta, foi colocado em liberdade ao fim da tarde desta quinta-feira, 4 de dezembro, mediante Termo de Identidade e Residência (TIR). O dirigente deverá apresentar-se periodicamente à justiça, de 15 em 15 dias, no âmbito do processo por alegada calúnia e difamação movido pelo Comandante-Geral da Polícia Nacional, Francisco Monteiro Ribas da Silva, relacionado com o conflito de terras no município da Camama, em Luanda.

Fonte: Club-k.net

Segundo apurou o Club-K, Daniel Neto havia sido detido na manhã de quarta-feira, 3, num terreno adjacente ao Campus Universitário da Universidade Agostinho Neto, em Camama, através de um mandado emitido pelo procurador junto do SIC-Geral, Afonso Samora André.


O PCA da Konda Marta permaneceu mais de 24 horas numa das celas do SIC-Geral em Cacuaco. Após o interrogatório, denunciou ter sido alvo de ameaças por parte de agentes da Direcção de Investigação de Ilícitos Penais (DIIP), que o teriam proibido de fazer denúncias públicas contra figuras alegadamente envolvidas na invasão dos terrenos da empresa. “O objectivo é proibir a liberdade de expressão, pois já não podemos fazer denúncias públicas, tudo na base de orientação superior”, afirmou.


Daniel Neto relatou ainda que passou a noite “no chão, com um simples lençol, sem acesso a água ou alimentação” até à tarde do dia seguinte, quando foi ouvido pelo procurador.


No final da audição, foi-lhe aplicada a medida de coação pessoal de TIR, obrigando-o a comparecer quinzenalmente perante as autoridades judiciais. O dirigente, que desde 2016 afirma defender os terrenos da Konda Marta contra alegadas ocupações ilegais, acusou o processo de ser uma manobra para permitir que os supostos invasores avancem com construções. “Foi uma estratégia para alegar que não tenho respondido às notificações, daí o motivo da emissão do mandado de detenção, com a finalidade de deixar os invasores construírem à vontade”, denunciou.