Luanda - Um grupo de autoridades tradicionais de Cabiri, no município do Icolo e Bengo, manifestou preocupação com aquilo que descreve como o “silêncio cúmplice” da Administração Municipal perante uma alegada vaga de ocupação e usurpação de terrenos pertencentes a sobas e a diversos cidadãos. Temendo represálias, os líderes tradicionais falaram sob anonimato.
Fonte: Club-k.net
Segundo relataram à reportagem do Club-K, vários moradores têm visto os seus direitos violados por indivíduos que se apresentam como representantes da administração pública, incluindo efectivos das Forças Armadas Angolanas (FAA) e da Polícia Nacional (PN). Os denunciantes acusam estes agentes de utilizarem o nome do Estado para se apoderarem de terrenos privados, sem qualquer intervenção da administradora local, Isabel Kudiqueba, que é apontada como possível “conivente”, devido ao alegado respaldo dado a figuras com influência política e financeira.
“Esta situação está a atingir contornos alarmantes”, alertou um dos sobas, afirmando que os cidadãos estão a “perder a confiança nas instituições do Estado”, apesar de existirem queixas devidamente documentadas. O líder tradicional apelou à intervenção do Presidente da República, João Lourenço, e do governador do Icolo e Bengo.
As denúncias foram reafirmadas neste domingo, 8 de Dezembro, durante uma conferência promovida pelo assessor jurídico Valdano Samutacache, relacionada com um prédio rústico de três hectares no quilómetro 36, naquele município. O jurista citou, entre os alegados envolvidos no “esquema”, a administradora Isabel Kudiqueba, o tenente-coronel Heitor Nunes, a antiga directora provincial da IGAE, Maria Gaspar Lemos, entre outras figuras.
À margem da conferência, seguranças que protegiam o referido terreno afirmaram ter sido expulsos por homens armados afectos às FAA, alegadamente sob ordens do tenente-coronel Heitor Nunes, que se diz proprietário da parcela.
Moradores relatam que Cabiri “transformou-se num escândalo nacional e num símbolo da impunidade”, num ambiente onde, segundo dizem, prevalece um alegado “sistema de poder político, policial e militar capturado para fins de enriquecimento ilícito”.
Um analista ouvido pelo Club-K sublinhou que as denúncias da população “não são meros rumores, mas um grito de socorro contra um sistema de extorsão e abuso de autoridade”. Outro residente acusou oficiais superiores da Polícia Nacional — incluindo o superintendente Azevedo Paim e a inspectora Pitra — e oficiais das FAA, como o general Zamba e o tenente-coronel Nunes, de supostamente comandarem um “clima de medo e intimidação”.
Os habitantes de Cabiri apelam à intervenção urgente das autoridades judiciais e de fiscalização, afirmando que a localidade enfrenta níveis elevados de corrupção, nepotismo, tráfico de influência, impunidade e abuso de poder dentro da Administração Municipal.
O Club-K tentou novamente obter esclarecimentos da administradora Isabel Kudiqueba, mas não foi possível obter uma reação até ao fecho desta edição.











