Luanda — O antigo primeiro-ministro e ex-secretário-geral do MPLA, Marcolino Moco, lançou duras críticas à atual liderança do partido no poder, acusando o Presidente João Lourenço de promover uma “pessoalização do poder” em Angola. As declarações surgem na sequência do discurso do Chefe de Estado durante as celebrações dos 69 anos do MPLA, que, segundo Moco, confirmam uma tendência crescente de centralização e exclusão política.
Fonte: Club-k.net
Para o antigo dirigente, os 23 anos de paz que se seguiram ao fim da guerra civil têm sido marcados por um bloqueio ao desenvolvimento do país, protagonizado por figuras do MPLA e por uma nova geração de políticos “entusiasmados com a chegada da sua vez”. Moco alerta que este caminho poderá comprometer não só os atuais líderes, mas também os seus descendentes, à semelhança do que aconteceu com regimes como os de Mobutu, Gbagbo e Sissoco.
O ex-primeiro-ministro apelou aos “mais velhos” do MPLA para que travem os intentos de João Lourenço, questionando o silêncio da elite partidária e alertando para o risco de um desfecho semelhante ao de José Eduardo dos Santos. “O que vão ganhar com o seu silêncio comprometedor? A espera das vinganças finais?”, questionou.
Moco também criticou a atuação da Procuradoria-Geral da República e dos tribunais, acusando-os de se deixarem instrumentalizar politicamente, como no caso do julgamento de Higino Carneiro. Defendeu ainda que a justiça não deve ser usada de forma seletiva para destruir empresas funcionais ou impedir candidaturas internas no MPLA, numa alusão às restrições impostas a figuras como Isabel dos Santos.
O jurista reiterou que, juntamente com outros colegas como o Professor Sérgio Raimundo, propôs soluções políticas mais equilibradas, baseadas na máxima do MPLA de “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”. No entanto, lamenta que essas propostas tenham sido ignoradas, inclusive durante a aprovação da atual Constituição, que considera prejudicial ao equilíbrio institucional.
Dirigindo-se à oposição, Moco advertiu contra a tentação de se beneficiar da crise interna do MPLA, usando a expressão umbundu “litili tulie asol’ene” — “lutem entre vocês que tomaremos conta da vossa kanjika” — e elogiou a postura da liderança da UNITA, que, segundo ele, tem demonstrado maturidade ao focar-se na resolução do bloqueio político do país.
Por fim, apelou à Igreja Católica e às demais confissões cristãs para que não abandonem o seu papel de “tribunais éticos e morais” da sociedade, reforçando que a sua legitimidade para intervir no debate político é cada vez maior. “Porque senão, quem a terá?”, concluiu.














