Luanda - O MPLA mostra-se receoso que a população em Angola proceda contra si,  a semelhança do que aconteceu em Maputo, onde o povo saiu as ruas para  rebelar-se contra o regime da FRELIMO. Esta terça-feira, o partido no poder em Angola segundo a Angop, considerou ser "uma situação grave e preocupante para o país", supostos “apelos sucessivos à desobediência civil” atribuídos a  responsáveis da UNITA, através da Rádio Despertar”.


Fonte: JA/CK

"Não podemos cair em atitudes impensadas"

Numa conferência de imprensa convocada ontem, em Luanda, o secretário para a Informação do partido no poder, Rui Falcão, declarou que os "apelos sucessivos" começaram a surgir na segunda-feira na Rádio Despertar e têm respaldo nos recentes discursos de alguns dirigentes da UNITA, em particular do seu presidente.

 

Ao mesmo tempo que pede aos militantes, simpatizantes e amigos do MPLA a não reagirem a quaisquer provocações, incitações ou convites que contrariem a ordem instituída, Rui Falcão sublinhou que o MPLA tudo tem feito para melhorar a vida dos angolanos.

 

"Não podemos cair em atitudes impensadas e irreflectidas trazidas por pessoas que nada fizeram por este país, que o destruíram e continuam, pelas mais diversas formas, a querer atingir o poder", disse, acrescentando que o poder só é legítimo quando as atitudes são democráticas, o que não é o caso.

 

Rui Falcão lembrou, ainda, os avanços registados nas áreas económica e social. Explicou que o país saiu de uma situação de inflação endémica, com taxas mensais acima dos três mil por cento e que este ano deve ficar em torno dos 13 por cento. Para 2011, indicou, a inflação pode, pela primeira vez na história do país, ficar em um dígito.


"Isso pressupõe mais disponibilidade para o investimento público, mais crescimento, mais emprego e redução da miséria", disse.

 

Rui Falcão afirmou que é pensando nos angolanos que o MPLA continua a trabalhar na melhoria da governação e na gestão da coisa pública. "Conquistámos a paz e, fruto disso, obtivemos a estabilidade social e económica e estamos entre as economias que mais crescem no mundo. Mas há ainda quem não esteja satisfeito com o crescimento que Angola tem vindo a conquistar", disse.

 

Rui Falcão lembrou que os sinais de apelos à desobediência começaram a ser visíveis há cerca de um mês, quando um cidadão, intitulado como membro da UNITA, denunciou publicamente o conteúdo de teses preparadas para a JURA, Juventude do partido UNITA. Explicou que alguns dirigentes se apressaram logo a desmenti-lo. "Como se tratava de uma querela interna, entendemos que não devíamos nos imiscuir nos assuntos internos", frisou.   

 

Na sexta-feira, o Bureau Político do MPLA repudiou, em comunicado saído da sua terceira reunião ordinária, a "estratégia seguida e suportada por diferentes instituições estrangeiras, perfeitamente identificadas, e organizações e indivíduos, incluindo cidadãos nacionais, recrutados para servirem de pontas-de-lança, visando manchar tudo quanto o Poder Executivo faça".


A atitude, segundo o comunicado, é a de tentar denegrir, a qualquer preço, a imagem do Presidente e o bom desempenho da economia angolana, mediante a criação de factos e o levantamento de suspeitas permanentes, com o propósito único de reduzir o apoio popular que tem merecido, condicionar o investimento estrangeiro no país e mitigar a diferença nas próximas eleições.

 

O comunicado acrescentava que a estratégia visa "derrotar o MPLA para entregar o poder àqueles que sempre serviram os seus interesses". "Conhecedor da estratégia gizada por essas organizações e instituições estrangeiras, aliadas a organizações e cidadãos nacionais contratados, o Bureau Político apela a todos os militantes a manterem-se firmes no cumprimento dos ideais do MPLA", sublinhava a nota.



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