Luanda - O Inglês é, sem dúvida, a principal língua dos negócios internacionais, do comércio, da produção de conhecimento, do acesso a tecnologias avançadas e do desenvolvimento profissional de países e indivíduos. Nesse contexto, este artigo apresenta os resultados mais recentes de Angola no Ranking Global de Países e Regiões do Índice de Proficiência em Inglês da Education First, seguido de uma breve discussão sobre suas implicações.

Fonte: Club-k.net

O Índice de Proficiência em Inglês da Education First, mundialmente conhecido na sigla Inglesa por EF EPI, é um índice global anual publicado pela EF Education First, baseado no desempenho de adultos que realizam voluntariamente os testes de Inglês online da EF. O seu principal objetivo é comparar os níveis de proficiência em inglês entre diferentes países e regiões. O mesmo avalia as competências essenciais de comunicação: Leitura, Compreensão Auditiva, Escrita e a Expressão Oral.

 

Dados Principais de Angola (2025)

Em 2025, Angola ocupou o 109.o lugar entre 123 países e regiões não anglófonos. O país obteve um resultado global de 413 na escala de 800 pontos do EF EPI, significativamente abaixo da média global, que foi de 488. As pontuações por competência foram as seguintes:

 Leitura: 431

 Compreensão Auditiva: 388

 Escrita: 407

 Expressão Oral: 444.

Os resultados mostram que Angola continua abaixo da média global, situando-se próximo do final da classificação mundial e também na parte inferior entre os países africanos. Especificamente, Angola encontra-se na categoria de “Proficiência Muito Baixa”. No entanto, em comparação com o ano anterior, houve uma melhoria modesta de 4 pontos, passando de 409 (2024) para 413 (2025), o que permitiu uma ligeira subida no ranking, do 110.o para o 109.o lugar.


Implicações dos Resultados

A classificação de proficiência da EF EPI inclue: Muito Alta, Alta, Moderada, Baixa e Muito Baixa. Pelos resultados, Angola enquadra-se na categoria de Proficiência Muito Baixa.


Curiosamente, a pontuação relativamente mais elevada em Expressão Oral (444), quando comparada com Compreensão Auditiva (388) e Escrita (407), sugere que a produção oral pode ser uma força relativa entre os participantes, enquanto que as competências receptivas – especialmente a compreensão auditiva – apresentam maior fragilidade. Esses resultados surpreendem, pois muitos estudantes e falantes de Inglês no país costumam relatar mais dificuldades nas competências produtivas (Fala e Escrita) do que nas receptivas.


Por um lado, os dados apresentados aqui revelam uma necessidade premente de intervenções direcionadas no ensino e aprendizagem da língua inglesa, tanto nas competências receptivas quanto nas produtivas, com o objetivo de elevar o nível de proficiência de estudantes, falantes e professores. Por outro lado, apesar dos esforços contínuos dos professores de forma individual e por meio das formações oferecidas pela Associação Angolana de Professores de Língua Inglesa (ANELTA), ainda observa-se, de facto, que um número significativo de docentes de inglês, tanto no ensino secundário quanto no ensino superior, apresenta níveis de proficiência insuficientes, o que compromete a qualidade do ensino e torna a sua prática pedagógica mais desafiante.


À luz do exposto, e com vista a reverter esta situação e melhorar a fluência dos estudantes e falantes de inglês em Angola, propomos as seguintes medidas estratégicas:


1. Fortalecer a formação de professores de inglês, com ênfase em metodologias de ensino comunicativo e práticas pedagógicas eficazes;


2. Promover o desenvolvimento contínuo da proficiência linguística dos docentes, através de formação permanente que contemple tanto a didática quanto o aperfeiçoamento linguístico;


3. Assegurar a disponibilização de materiais didáticos e recursos pedagógicos adequados para o ensino eficaz da língua inglesa em todas as instituições de ensino;

4. Implementar políticas educacionais consistentes e realistas, orientadas para o aumento de desempenho nacional em Inglês;

5. Rever a carga horária da disciplina de Inglês, recomendando o seu aumento no 1.o e 2.o ciclos do ensino secundário, de forma a proporcionar mais tempo de contacto e prática efetiva da língua.

Considerações Finais e Limitações

É fundamental lembrar que o EF EPI baseia-se em participantes voluntários, pertencentes à rede EF. Assim, os resultados não representam uma amostra totalmente aleatória ou estatisticamente representativa da população adulta angolana. Os resultados refletem apenas aqueles que decidiram ou tiveram oportunidade de realizar o teste. Além disso, estar na categoria de “Proficiência Muito Baixa” não significa que não haja falantes de Inglês em Angola; significa, sim, que níveis elevados de proficiência não são amplamente disseminados em comparação com outros países. Porém, os resultados podem, com certeza, servir como indicadores de como anda a formação de falantes de Inglês no país.


Finalmente, considerando que a média global (488) é significativamente superior à pontuação de Angola (413), torna-se claro que a maioria dos países não anglófonos superou Angola no índice. Assim, há uma necessidade urgente de que decisores políticos e líderes educacionais adotem medidas consistentes e viáveis para melhorar o ensino de Inglês – especialmente se o país pretende utilizar a língua como ferramenta estratégica de integração internacional, incluindo em megaprojetos como o Corredor do Lobito, que atrai investidores e parceiros de várias partes do mundo, particularmente dos EUA e da União Europeia.


* Antonio Xavier, Vice-Coordenador do Departamento de Formação da Associação Angolana de Professores de Língua Inglesa (ANELTA). Mestre em Ensino de Inglês para Falantes de Outras Línguas (TESOL) pela Kent State University, Ohio, U.S.