Paris – Um casal angolano residente em França solicitou formalmente a intervenção urgente das autoridades angolanas, através do Ministério das Relações Exteriores, alegando o sequestro e desaparecimento dos seus quatro filhos menores desde agosto de 2022, num caso que envolve serviços sociais e decisões judiciais francesas que a família considera ilegais e discriminatórias.
Fonte: Club-k.net
Numa carta dirigida ao ministro Téte António, Francisco Malonda e Catarina Ndulo Cunga, residentes em Paris, relatam que as crianças foram retiradas da mãe na cidade de Lyon por um grupo de seis indivíduos, com base numa cópia de um alegado julgamento cuja origem e autenticidade, segundo afirmam, nunca lhes foi confirmada.
De acordo com os pais, o documento invocado para justificar a retirada das crianças estaria associado a um tribunal do departamento de Sarthe (72), região onde nenhum dos progenitores residia, o que, no seu entender, tornaria a decisão territorialmente incompetente e juridicamente inválida. Após a retirada, as crianças terão sido transferidas para a localidade de Allonnes, a mais de 500 quilómetros de Lyon, separando-as completamente da mãe.
Alegações de abusos graves
O casal afirma que, durante raros encontros supervisionados — apenas três visitas em mais de três anos — as crianças relataram maus-tratos graves, incluindo alegações de abuso sexual, exclusão do sistema escolar e internamentos psiquiátricos abusivos. Um dos casos mais sensíveis envolve uma menina de cinco anos que, segundo os pais, teria sido colocada aos cuidados de um homem solteiro, situação que a criança associou a comportamentos abusivos.
Os pais dizem ter apresentado mais de 14 queixas-crime junto de tribunais e esquadras de polícia francesas, sem que, segundo relatam, tenha sido aberto qualquer inquérito formal ou realizados exames médicos às crianças.
Críticas ao sistema judicial e social francês
Na exposição enviada ao Governo angolano, a família denuncia abuso de poder, discriminação racial, violação do princípio do contraditório e retaliação judicial. Apontam ainda responsabilidades à juíza de menores do Tribunal de Paris, Adelaide Barry Delongchamps, acusando-a de omissão face às denúncias apresentadas e de ter decidido, em junho de 2025, a prorrogação da retirada das crianças por mais dois anos, sem direito a visitas parentais, numa audiência realizada, segundo os pais, sem a sua presença.
Actualmente, o processo encontra-se sob acompanhamento do Tribunal de Paris e dos serviços sociais da Aide Sociale à l’Enfance (ASE) dos 5.º e 13.º distritos de Paris.
Pedido de repatriamento e intervenção diplomática
Francisco Malonda e Catarina Cunga afirmam ainda ser vítimas de internamentos psiquiátricos forçados, detenções arbitrárias, intimidações e assédio, alegadamente relacionados com as denúncias que têm feito sobre o caso.
Perante a situação, o casal solicita ao Governo de Angola uma intervenção diplomática junto das autoridades francesas, com vista à localização imediata das crianças, à sua retirada do sistema que consideram perigoso, à reparação dos danos causados e ao repatriamento urgente de toda a família para Angola.
“Os nossos filhos encontram-se em perigo”, afirmam, defendendo que estão nas mãos de uma “rede organizada de criminalidade infantil camuflada de serviço estatal de protecção de menores”.
Até ao momento, não é conhecida uma reação pública do Ministério das Relações Exteriores de Angola às denúncias apresentadas.

