Luanda - Uma situação considerada grave por profissionais de saúde voltou a levantar preocupações sobre a segurança na dispensa de medicamentos em farmácias, após a substituição indevida de um fármaco prescrito a um adolescente com rinite alérgica.
Fonte: Club-k.net
De acordo com o relato da médica Ester Matias, a prescrição clínica indicava Levocetirizina 5 mg (XYZAL), um anti-histamínico utilizado no tratamento de alergias. No entanto, no momento da dispensa, o medicamento foi substituído por Levotiroxina (EUTIROX), um fármaco destinado ao tratamento do hipotiroidismo, condição relacionada com a deficiência das hormonas da tiroide.
Segundo a médica, a substituição foi feita por iniciativa de uma técnica de farmácia, que garantiu aos pais do paciente tratar-se de um medicamento equivalente, apesar das dúvidas manifestadas pela família. “Trata-se de uma decisão extremamente grave e inadmissível, com potencial risco de vida”, alerta a profissional.
A situação só não teve consequências clínicas porque os pais, desconfiados, optaram por não administrar o medicamento ao filho antes de confirmarem a informação junto da médica assistente. Após analisarem a factura e a embalagem do fármaco, contactaram a pediatra, que imediatamente identificou o erro.
“Fiquei chocada, indignada e profundamente preocupada”, afirma Ester Matias, questionando quantos outros casos semelhantes poderão estar a ocorrer sem que sejam detectados. A administração diária de levotiroxina a uma criança sem indicação clínica pode provocar iatrogenias graves, incluindo alterações cardíacas, metabólicas e hormonais.
O episódio reacende o debate sobre os limites legais e éticos da actuação dos técnicos de farmácia, sublinhando que a substituição de medicamentos prescritos só pode ocorrer dentro de critérios rigorosos e nunca entre fármacos com indicações terapêuticas completamente distintas.
Perante o ocorrido, a médica deixa um alerta público aos pais e encarregados de educação, apelando à vigilância redobrada:
“Não permitam que prescrições médicas sejam alteradas sem confirmação do médico. Na dúvida, contactem sempre o profissional que acompanha o vosso filho.”
A especialista recomenda ainda que os pais solicitem sempre um meio directo de contacto com o médico assistente, para esclarecimento rápido de dúvidas relacionadas com medicação.
“Proteger as crianças é uma responsabilidade colectiva”, conclui Ester Matias, defendendo maior fiscalização, formação rigorosa dos profissionais e responsabilização em casos de erro na dispensa de medicamentos.













