Luanda - O próximo congresso da Organização da Mulher Angolana, previsto para os dias 27 de Fevereiro a 2 de Março, promete ser um marco histórico, especialmente pela implementação da estrutura de múltiplas candidaturas, à semelhança do que aconteceu com o braço juvenil do MPLA, partido que sustenta o governo.
Fonte: Club-k.net
Com a submissão oficial dos documentos pelas três candidatas, está consumado o facto de que para trás fica a cultura de candidatura exclusiva, indicada pela direcção do partido.
Para além deste facto inédito na história da organização feminina, a composição da estrutura do pleito, não deixa de chamar a atenção dos mais atentos: dois rostos bastante conhecidos da política nacional, designadamente, Emília Carlota Dias e Lourdes Caposso, ambas deputadas à Assembleia Nacional e um terceiro nome que desperta curiosidades: Graciete Sungua.
Emília Carlota – Liderança e antiguidade
Emília Carlota Dias começou a sua militância partidária na província da Huila, em 1988, após passar pela Organização de Pioneiros de Agostinho Neto – OPA.
Ainda na Huila, chegou a dirigir o Departamento de Disciplina e Auditoria. De seguida foi eleita 2à Secretaria Provincial da JMPLA e membro do seu Comitê Nacional.
Carlota é membro do Comitê Central do MPLA e do Comité Nacional da OMA.
É Deputada desde 2008 pela bancada parlamentar do MPLA, onde exerceu nessa mesma legislatura, a função de 2ª Secretária de Mesa da Assembleia Nacional, posteriormente, 1ª Secretaria de Mesa.
Foi membro da Assembleia Constituinte, sendo signatária da Constituição da República de Angola de 2010.
Na legislatura de 2017-2022 ascende ao cargo de 1ª Vice-presidente da Assembleia Nacional. É actualmente membro da 7ª Comissão- Cultura, Assuntos Religiosos, Comunicação Social e Juventude e Desportos.
Carlota Dias tem actualmente 54 anos, é formada em História e tem como profissão a docência.
Lourdes Caposso – A Madame Compliance
Maria de Lourdes Roque Caposso Fernandes é licenciada em Direito pela Universidade de Lisboa e Mestre em Petróleo e gás.
Detém formações em Compliance e Due Delligence realizadas nos Estados Unidos da América e na Suíça.
Mestre em Petróleo e Gás, Lourdes Caposso, destaca-se profissionalmente como Advogada, cuja actividade iniciou em 1998 em Lisboa, tendo passado, posteriormente pelo Reino Unido onde exerceu advocacia, com excelência, na petrolífera multinacional Exxon Mobil.
De regresso a Angola, continuou a sua actividade profissional, filiando-se em sociedade de advogados de grande renome, tendo contribuído para a reforma da legislação voltada para a política de investimento estrangeiro.
Posteriormente, fundou a African Women Capital Fund, ligado a advocacia financeira e ao petróleo e gás e o Fórum Africano de Economia Financeira e Conformidade – FAFEC.
Lourdes Caposso tem sido bastante interventiva no espaço público, particularmente em matérias que visam a melhoria da performance do sector petrolífero nacional.
Tomou posse como deputada em Outubro de 2022 e integra a 1ª Comissão de Trabalhos Especilizada – Assuntos Constitucionais e Jurídicos.
É membro do Comitê Nacional da OMA e já exerceu o cargo de Secretária para Informação e Propaganda de um CAP.
Graciete Súngua – A grande revelação
A grande surpresa e algum mistério recai sobre a figura da candidata Graciete Dombolo Sungua que, pasmem-se, é também Deputada, mas que, suspendeu o mandato, continuando a exercer a sua actividade laboral na empresa petrolífera estatal.
Graciete Súngua, tem 48 anos de idade e tem vindo a destacar-se como a grande revelação deste ciclo.
Iniciou a militância activa como membro fundador da JMPLA nos Estados Unidos da América. Exerce actualmente a função de Coordenadora da Comissão de Disciplina e Auditoria do Comitê Nacional da OMA, porém sempre muito discreta e focada no desempenho da sua função, gerando grandes expectativas quanto ao seu potencial para transformar e influenciar os rumos da organização.
É Engenheira de Petróleos e Mestre em Engenharia de Reservatórios pela Universidade de Tulsa, nos Estados Unidos da América, onde se destacou como a única mulher angolana entre mais de 100 bolseiros a concluir o curso com distinção que lhe garantiu dois diplomas de mérito e uma bolsa de excelência para o mestrado, na universidade de Texas A&M, USA.
Durante o seu percurso académico, foi também professora assistente da disciplina “Propriedade de fluidos”, demonstrando desde cedo a sua vocação para ensinar, liderar e inspirar.
Com mais de 20 anos de carreira na Sonangol Exploração & Produção, é a primeira mulher a ocupar o cargo de Chefe do Departamento de Engenharia de Reservatórios, um marco de pioneirismo e competência na história da maior empresa nacional de petróleo e gás.
Ao longo destes mais de 20 anos de carreira, liderou e continua a liderar equipas nacionais e expatriadas em projectos de grande complexidade técnica e estratégicos (Palanca, Impala, Pacassa SW, Búfalo Norte, Caco Gazela, KON, Katambi, entre outros), consolidando a sua reputação como uma profissional rigorosa, inovadora e comprometida com os resultados, que defende a meritocracia e a valorização do talento feminino em sectores dominados por homens. resultados.
Pelo seu percurso político, académico e profissional a Candidata Graciete Sungua é tida no círculo partidário como figura que representa ligação entre a tradição e a inovação da organização, enquanto membro activo e perene da OMA, valências que lhe conferiram o mérito de dirigir o importante departamento do Comitê Nacional da OMA, fazendo parte, no entanto, de uma nova geração de mulheres angolanas comprometidas com a promoção da igualdade de género e o empoderamento feminino.
É também conhecida pela sua dedicação às causas sociais e solidárias, enquanto madrinha de lares de acolhimento de crianças em situação de vulnerabilidade e membro activo de associação de apoio à luta contra o cancro, causa que abraça em resultado da sua história pessoal. Muito cedo perdeu a mãe para o cancro.
Expectativas para o Congresso
A proximidade do congresso faz crescer a curiosidade e o interesse em torno das propostas das três Candidatas que submeteram os documentos à Comissão de Mandatos do braço feminino do partido que sustenta o executivo.
Entre os temas mais aguardados estão, seguramente, o combate à violência baseada no género, situação agravada pelos episódios de abuso de mulheres e crianças cujos números têm sido assustadores, suscitando a necessidade de maior intervenção de diferentes sectores da sociedade. Outras questões igualmente relevantes prendem-se com o apoio ao empreendedorismo feminino e o reforço da presença da mulher em cargos de decisão política e social.
A realização do VIII Congresso representa uma oportunidade de renovação e dinamismo para a Organização da Mulher Angolana. Espera-se do próximo mandato uma abordagem moderna e sensível aos desafios contemporâneos que possam impulsionar novas estratégias, fortalecer a solidariedade entre as associadas e ampliar o impacto das ações da OMA na sociedade angolana.
Só assim se irá implementar uma nova fase de crescimento e protagonismo feminino, reforçando a imagem de liderança da OMA como referência nacional e não só na luta pelos direitos das mulheres.













