Luanda - Yoweri Museveni, de 83 anos, alcançou um sétimo mandato presidencial no Uganda após as últimas eleições realizadas neste país da África Oriental. O seu principal opositor foi Robert Kyagulanyi, mais conhecido como Bobi Wine, um cantor muito popular e líder político que se afirmou como a principal figura da oposição ugandesa.
Fonte: Club-k.net
Durante a campanha eleitoral, Bobi Wine denunciou uma perseguição militar constante. Os seus comícios foram sistematicamente interrompidos pelas forças de segurança e, em vários momentos, o líder da oposição esteve em paradeiro desconhecido até à proclamação dos resultados. Segundo os dados oficiais, Museveni obteve 76% dos votos, contra 24% de Bobi Wine — resultados fortemente contestados pela oposição, que denuncia fraude eleitoral, apagões informativos e cortes no acesso à internet. O governo justificou estas medidas como necessárias para combater a desinformação.
Museveni mantém-se no poder há quase 40 anos, depois de ter derrubado, em 1986, por via militar, o ditador Idi Amin Dada, conhecido internacionalmente pelo filme de Hollywood O Último Rei da Escócia. Desde que chegou ao poder, Museveni alterou a Constituição por duas vezes para eliminar os limites de idade dos candidatos à Presidência da República, o que lhe permitiu continuar a apresentar-se às eleições.
Vários líderes internacionais felicitaram Museveni pela sua vitória. Entre eles, Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, que reafirmou a irmandade Sul-Sul entre os dois países. A União Africana reconheceu igualmente os resultados, apesar das numerosas denúncias de fraude e repressão da oposição.
O governo ugandês defende a sua permanência no poder com base na estabilidade política e social do país, sob o lema de campanha “Proteger as conquistas”. Museveni destaca um alegado crescimento económico, a força das Forças Armadas ugandesas — presentes em vários conflitos regionais — e o acolhimento de milhões de refugiados provenientes do Sudão, da República Democrática do Congo e da Somália. Segundo o presidente, estes fatores conferem-lhe legitimidade e credibilidade a nível internacional.
Em Kampala, a capital do país, circulam rumores de que Museveni estará a preparar o seu filho, o general Muhoozi Kainerugaba, como seu sucessor, consciente da sua idade avançada.
O Uganda não é um caso isolado. Líderes como Paul Biya, nos Camarões (92 anos), Denis Sassou Nguesso, no Congo-Brazzaville (82 anos), ou o próprio Museveni parecem ignorar as crescentes exigências de mudança impulsionadas pela juventude africana. África reclama renovação geracional e está cansada de governos perpetuados no poder que, após décadas, continuam incapazes de resolver os problemas estruturais dos seus povos.
Muitos jovens olham com esperança para países como Senegal, Burkina Faso, Botsuana, Guiné-Conacri ou Níger, onde as mudanças de liderança — ainda que tímidas — começam a produzir transformações sociais e políticas.
O Uganda continuará sob o mandato de Museveni durante os próximos cinco anos. Tudo indica que deixará o poder aos 88 anos, podendo o futuro do país ficar nas mãos do seu filho, o general Muhoozi Kainerugaba, num modelo de sucessão de caráter dinástico, semelhante ao do Gabão.











