Luanda - A recente atitude do general Higino Carneiro, de desafiar para um debate o PR João Lourenço, chamou a atenção de vários jornais angolanos, ganhando um artigo no Novo Jornal. Usando-se de um subterfúgio, no caso o elogio do debate que recentemente teve lugar em Portugal, entre lideranças políticas de ideologias opostas, o general angolano enviou uma mensagem clara, sutilmente chamando João Lourenço para um debate em Angola e ao mesmo tempo manifestando as suas intenções presidenciais e desejo de tomar as rédeas do MPLA.
Fonte: Club-k.net
Higino Carneiro e outros “velhos sem fôlego”, expressão utilizada pelo PR João Lourenço em recente congresso do MPLA para se referir ao setor mais conservador do partido, têm ultimamente manifestado forte oposição à forma como a política é conduzida em Angola, bem como quanto à incerteza que marca as próximas eleições presidenciais. É facto que quando o general Carneiro manifestou ainda em 2025 a sua intenção de disputar a presidência do MPLA, foi imediatamente indiciado num processo criminal por suposta má utilização de fundos públicos do Kuando Kubango. Esses factos mostram uma cisão interna dentro do MPLA que pode agravar-se ainda mais nas próximas eleições enquanto não for nomeado um sucessor de JLo.
Os passos dados pelo general Carneiro parecem operar com base numa tese há algum tempo difundida em certos setores midiáticos de que João Lourenço estaria a preparar um terceiro mandato, uma teoria que já foi em mais de uma oportunidade contestada pelo próprio presidente João Lourenço, e que mesmo juristas ligados ao MPLA já declararam impensável, em razão de mecanismos constitucionais. Mas a nação angolana pergunta - quem o PR João Lourenço irá apontar como o seu sucessor?
As falas de Carneiro sobre uma guerra civil e o diálogo com Lourenço provavelmente farão com que Lourenço desista definitivamente da ideia de concorrer a um terceiro mandato, mesmo que tivesse tais planos, e queira nomear um sucessor. Aos poucos, forma-se um círculo de potenciais sucessores e publicações como a Africa-Press têm citado nomes como o ministro de Estado Adão de Almeida, o ministro do Interior Manuel Homem e a vice-presidente Mara Quiosa. Há também rumores de que a própria primeira-dama Ana Dias Lourenço poderia dar continuidade ao trabalho de seu marido, que de acordo com o periódico alemão DW tem recebido não apenas críticas internas, mas também elogios internacionais, aplausos do Banco Mundial e dos Estados Unidos, alegando que as reformas de JLo "vão atrair investidores internacionais e criar maior ambiente de negócio no país". Sua bandeira de luta contra a corrupção é um marco de sua política interna.
O internacionalista Oswaldo Mboco, tratando das reformas de João Lourenço, menciona que o PR ampliou em Angola a concorrência e enfraqueceu os monopólios, ele acrescenta que as reformas levadas a cabo pelo Governo angolano no setor da economia e finanças, assim como no sistema fiscal e cambial, refletem-se também na revisão da legislação. Menciona o analista que “a lei da própria concorrência que foi aprovada, que retira basicamente os monopólios e que permite com que outras empresas possam concorrer e operar no território nacional na mesma proporção de igualdade". Isso leva a crer que João Lourenço no poder consegue manter atratividade internacional, possibilitando que mais investimentos entrem em Angola e consequentemente mais capitais. A própria lei de investimentos estrangeiros, "que tinha alguns artigos que, do ponto de vista de atração, era prejudicial para o investidor estrangeiro que de alguma forma inibia. E a isenção de vistos para investidores", diz Mboco.
Para manter o desenvolvimento de Angola, é fundamental que o presidente JLo, que elevou o prestígio internacional de Angola, nomeie um sucessor, o que trará mais confiança para os mercados internacionais e estabilidade econômica. A incerteza do PR, tem gerado preocupações ao povo angolano e principalmente ao próprio MPLA, que parece cada vez mais próximo de um racha interno.
Nos últimos congressos do MPLA, o PR tem demonstrado importante preocupação com a questão da sucessão presidencial, em especial com os jovens, visto que seu discurso enfatizou que o PR não quer “alguém mais cansado do que ele na presidência”. João Lourenço, que sempre se preocupou com os angolanos, certamente nomeará em breve alguém para sucedê-lo na Cidade Alta para evitar uma divisão no seu partido e, consequentemente o seu enfraquecimento para as próximas eleições presidenciais num cenário em que a UNITA ganha projeção.
Pedro Gomes











