Lisboa - Em círculos internacionais (acadêmico e político) é visto como uma das raras personalidades angolanas que estando dentro ou fora do poder, pode  falar  com  autoridade a cerca da realidade do país. A oposição política em Angola reconhece-lhe pragmatismo/moderação,  o que fez dele uma  figura de consenso. Não tem apego ao poder. Dos elementos do núcleo presidencial, Carlos Maria da Silva Feijó é também a figura com quem  o PR tem um relacionamento semelhante a “pai e filho”. (JES empresta-lhe e recomenda-lhe a leitura de  livros e vice versa).


Fonte: Club-k.net 

 O Vice-Presidente “de facto”

Começou a privar com JES quando tinha 26 anos de idade. A sua entrada no regime, aconteceu depois que ele  e um  outro membro do MPLA, André “Passy” terem terminado “muito” cedo as suas  respectivas licenciaturas  em direito. Ambos foram inicialmente  sondados para prestar apoio técnico a uma comissão constitucional  da antiga Assembléia do Povo (AP), a época do partido único. (O Presidente da AP era  Dino Matross).  Há também a variante de que  Carlos Feijó  teria sido “descoberto” por um economista, Mário Barber,  com ligações estreitas ao circulo do poder em Angola. Após a sua “descoberta” foi “puxado” para o futungo de belas e em Junho de 1990, o Presidente José Eduardo dos Santos acabaria por lhe nomear  para o cargo de Vice-Ministro do Trabalho (Era o governante mais novo do governo)

 

No seu tempo de escola, Carlos Feijó era conhecido como um aluno dedicado e proveniente de  uma família das ruas da “Cavop” no  Cazenga. Perdeu o pai  muito cedo e a  mãe Maria das Dores (costureira de profissão)  passou a exercer o duplo papel de mãe e pai. (Quando  o filho  começou a trabalhar ofereceu-lhe uma maquina de costura). Um dos suportes familiares que o mesmo  teve enquanto estudante era de   um  primo-irmão, Heleno Silva Santana Feijó, que andou pela  extinta  DISA, mas que acabaria por ser assassinado no bairro popular. Naquela altura, a figura do seu circulo familiar que mais próxima estava ao “poder político”  era  uma prima Paula Feijó, casada com o então chefe de Estado Maior das FAPLA, general Alberto Correia Neto (Hoje  Embaixador).

 

Três meses após assinatura dos acordos de Bicesse de 1991, Carlos Feijó foi exonerado  da pasta de Vice-Ministro do Trabalho para ser nomeado Secretario adjunto do Conselho de Ministro de Estado. No ano a seguir, três meses  após as primeiras  eleições gerais em Angola, acabou por ser ele, o chefe integral da pasta  de Secretário do Conselho de Ministros.

 

A confiança que JES passou a ter pelo mesmo, foi  sentida quando o PR,  passou a  chama-lo para fazer parte das audiências que o presidente angolano dava ao falecido líder  da UNITA, Jonas Savimbi. Apenas ficava na sala, JES, Savimbi,  Carlos Feijó e o  general  Antonio  José Maria. Anos mais tarde, quando o regime propôs a Vice-Presidência a Jonas Savimbi, este rejeitara ao saber que passaria a “despachar” com Carlos Feijó. (No ver da UNITA, isto  constituía um autentico desrespeito)

 

Enquanto membro da entourage da Presidência da Republica, Carlos Feijó  viveu momentos não muito bons mas que lhe permitiram avaliar  quem eram os seus verdadeiros amigos e quem eram os de  conveniência. Certa vez,  organizou uma festa em alusão a data do seu aniversario a 2 de Janeiro. A ocasião calhou  num momento em que tinha sido afastado pela primeira vez do circulo presidencial. Na hora em que a festa iniciava,  os supostos amigos/convidados (do regime e partido), estacionaram  as suas viaturas na ponta da rua de sua casa e  enviaram  antes os seus  guardas ou motoristas para fazerem reconhecimento de quem  estava na festa. Só depois é  que os mesmos  entravam, para cumprimentar mas  saiam rapidamente invocando que tinham outros compromissos. O comportamento dos colegas do regime em renegarem-lhe   foi associado a um suposto medo  de poderem ser vistos ou serem conotados de que se mantinham seus amigos visto que o mesmo fazia “travessia no deserto”.

 

Diz-se que desde então,  passou ser cauteloso nas amizades. Um das figuras a quem o mesmo considera como verdadeiro amigo é Sabino Ferraz com quem partilha uma amizade que se estende entre os filhos de ambos. É também muito amigo de Antonio Pitra Neto, desde o tempo da Assembléia do Povo. Mantém uma amizade privilegiava com os generais, João de Matos e  Mario Cirilo “Ita” que o reconhecem desde o  tempo de estudante. Por isso não hesitou quando João de Matos propôs –lhe para ser seu   padrinho de casamento com a ex-Miss Emilia Guardado. (Cerimônia realizada no Mussulo)

 

De lembrar que a primeira vez, que foi afastado do poder político aproveitou o tempo para se instalar em Portugal, onde fez um mestrado em direito publico. Inscreveu-se para o grau de doutoramento, mas logo a seguir, o PR,  JES chamou-lhe para desempenhar as funções de  assessor presidencial para os Assuntos Regionais e Locais, cargo que exerceu por cerca de quatro anos. Em Janeiro de 2004 acabaria por  ser nomeado Chefe da Casa Civil do Presidente da República cargo que ocupou por 11 meses registrando a sua “segunda” saída do circulo presidencial em função de um atrito com o então Secretario do Conselho de Ministro, Antonio Van-dúnem “Toninho” em que este teria sido visto com um dos dedos da mão  esquerda fracturado.

 

Esta foi a sua segunda saída embora considerada  de “jure”, pois  serviria para que  o PR,  agisse com  justiça pelo que ocorrera com ele e  “Toninho” Van-Dúnem. Enquanto ausente da vida política dividiu o seu tempo com a vida de docente,  liderou  um escritório de advogados, prestou assessoria a Sonangol, e foi  prestando  discreta assistência ao PR, José Eduardo dos Santos de quem nunca se desligou. Em meados de 2005, esteve a freqüentar uma formação avançada em projectos de finanças pela Universidade de Harvard nos Estados Unidos da America. Passou a  estar mais presente do seu circulo familiar. O seu maior orgulho é uma filha,  Ângela Feijó, formada em direito em Portugal e com uma especialização pela  Universidade de Aberdeen, na Inglaterra.

 

Em Agosto/Setembro  de 2008, participou directamente  na   campanha eleitoral do MPLA no Município do Cazenga onde chegou a passar  noites. Apoiou financeiramente o mesmo Comitê Municipal do partido  oferecendo 10 mil dólares.  Concorreu nas listas a deputado do MPLA a Assembléia Nacional mas acabaria por suspender o mandato.

 

Embora nunca tenha deixado de privar com JES, o  seu regresso, de modo oficial, ao circulo presidencial começou a ser sentido em finais de 2009 quando deu a cara como porta voz do modelo de constituição atípica. JES esboçou a idéia do que pretendia  e passou – lhe o “draft”  para tratamento profissional. Após a feitura da constituição, o PR instruiu-lhe a desenhar e a propor a estrutura do futuro executivo introduzindo  a figura dos Ministros de Estado e a redução ou extinção de algumas pastas governamentais. Para melhor concentração e sigilo, foi  dispensado para seguir ao Dubai, em Dezembro de 2009 onde executou a  feitura da proposta daquilo que  seria o futuro executivo.

 


A 29 de Janeiro do corrente, JES levou-lhe para participar numa  reunião do Bureau Político do MPLA  destinada a apresentar ao circulo do partido o esboço da estrutura do novo governo. Diante dos membros do BP,  José Eduardo dos Santos  se justificou dizendo que Carlos Feijó participaria naquela reunião restrita  na qualidade de “convidado do presidente”. Teria sido  um sinal inédito  e  claro da confiança do PR para com ele.

 

Com a aprovação  da nova constituição e a  reestruturação do governo  o mesmo seria nomeado Chefe da Casa Civil e Ministro de Estado. Na altura, quadros intermédios do regime questionavam como seria o  relacionamento com o general “Kopelipa”, visto que Carlos Feijó era amigo de Fernando Miala (Chegaram a editar  um livro sobre as leis de segurança).

 

Na seqüência da sua reentrada, o mesmo passou a ser visto como o “cabeça pensante” do executivo e  com protagonismo equiparado a um “Primeiro Ministro”. Em meios,  do poder político angolano passou a dizer-se que a personalidade  que exerce de “facto” o papel de   “segunda” figura do Estado angolano  é Carlos Feijó e não Fernando da Piedade dias Dos Santos.

 

Tais argumentações  são baseadas nas seguintes observações a saber:

 

- Depois de JES é ele que passou a ter competência nos principais dossiês do país (Excepto a Segurança).  O Vice-Presidente da Republica, Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó”, domina apenas a área social (Escolas e Hospitais) e não tem orçamento próprio. Quando  “Nandó” precisa de verbas ou outros expedientes, a correspondência passa primeiro  pelo  Gabinete do Chefe da  Casa Civil para apreciação e por sua vez este coloca na mesa do  PR. (i.e, Se “Nandó” apresentar propostas que Carlos Feijó  não concorda a coisa morre por ai,  a menos  que este se queixe ao PR). Na linguagem terra-a-terra, diz-se que  “Nandó” passou a despachar com Carlos Feijó.


- Quando “Nandó” se ausenta do país, o PR assina despacho  orientando que os funcionários do Gabinete do  Vice-PR passem a despachar assuntos correntes com Carlos Feijó. 

 

A percepção que apresenta, o Chefe da Casa Civil, como uma espécie de  Vice-Presidente da Republica “de facto” tem se arrastado para o circulo familiar de JES. No último aniversario do PR, a primeira dama Ana Paula dos Santos organizou uma festa privada apenas para 80 pessoas da  família, ao qual um  filho de JES (Zedú Dos Santos) dedicou uma musica ao pai.  Carlos Feijó foi  o único membro   do governo a ser convidado.  O Vice-PR, Fernando da Piedade dos Santos foi “apenas”  convidado a comparecer na  festa realizada no dia seguinte (sábado) no salão da cidade alta junto com outros ministros e membros do partido.



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