O ofendido, presidente da Assembleia Geral da Associação dos Veteranos de Guerra, foi acusado numa entrevista  concedida a César Silveira pela senhora Marcelina Vicente dos Santos de ser membro duma célula da Frente de Libertação Nacional do Enclave de Cabinda (FLEC).

Imediatamente após o final da entrevista (04 de Outubro de 2005), o nosso jornalista telefonou a Zeleco do Nascimento a pedir esclarecimentos sobre este caso, tendo este respondido que o jornalista mentia, pois na sua opinião não podia estar com a referida senhora por esta, acreditava ele, estar a contas com a justiça, provavelmente presa.

Perante a insistência do nosso jornalista, insistindo que a senhora estava de facto com ele, Zeleco respondeu-lhe que  não devia ouvi-la, porque ela era uma “bandida”... e pediu-lhe que voltasse a ligar no dia seguinte.  

Na manhã seguinte, César Silveira voltou a telefonar para Zeleco, que anunciou estar ausente da sede da Associação, pelo que lhe propôs vir até à redacção do Folha 8, ao que o outro se opôs, argumentando que era o jornalista que precisava de o ouvir por isso deveria ser ele a ir ao seu encontro no Rocha Pinto. Ficou combinado então um encontro para o período da tarde desse dia 04 de Outubro de 2005.

Quando chegou a hora do encontro, depois de César ter telefonado no sentido de se deslocar à sede, Zeleco anunciou uma vez mais que não se encontrava no local nem voltaria tão cedo. E foram estes os contactos que o nosso redactor fez antes da publicação da entrevista, tal como ele declarou ao Tribunal.

À parte isto, logo após a saída à rua da edição do Folha 8 dessa semana, incluindo o artigo de César Silveira sobre esta matéria, este último teve o cuidado de entrar em contacto com Zeleco a fim de dar continuidade ao caso e permitir que fosse ouvida uma versão contraditória da sua parte, tal como manda a lei e a deontologia jornalística.

Para esse efeito foi agendado um encontro para a segunda-feira seguinte, mas Silveira, pela ocasião acompanhado pelo nosso designer Pedro de Oliveira, chegou atrasado ao encontro, e apenas encontrou no local um guarda que, diga-se de passagem, lhe declarou que tinha sido uma boa coisa terem chegado atrasados pois os valentes “Antigos Combatentes” tinham em mente dar-lhe um enxoval de porrada por ter publicado um artigo que lesava sobremaneira a sua imagem.

Conclusão, Zeleco do Nascimento e seus apaniguados organizaram um festival de kizomba e fizeram dançar durante uma semana o nosso redactor para no final alegarem que foram lesados e nem sequer foram ouvidos. Pelo que, alegando terem sido abusados introduziram uma queixa crime contra o César Silveira.

E, apesar de haver testemunhas do contrário, de terem sido feitas declarações que comprovam claramente a realidade da entrevista concedida pela senhora Marcelina Vicente dos Santos; e apesar de ser evidente que em casos destes quem tem que provar a verdade da informação não é o entrevistador, é a entrevistada, o jornalista do Folha  8 foi condenado. Injustamente.

 Não se entende, por serem inexplicáveis, as razões que levaram o tribunal a ignorar tanto o depoimento de César Silveira como a confirmação da entrevista feita pela própria entrevistada, assim como a confissão que a dada altura o Kinanga do Nascimento, declarante e representante de Zeleco, já falecido, fez, segundo a qual este último não estava interessado em reagir às solicitações de César por acreditar que a senhora estava presa.

Tudo se passou como se César Silveira não tivesse dito nada, pois apenas foram levados em consideração os depoimentos que o comprometiam. 

Fonte Folha8



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