Em companhia do presidente da Assembleia Nacional, Roberto de Almeida, entre outras personalidades dos mais variados estratos da sociedade, José Eduardo dos Santos prostrou-se defronte à urna, velório que ocorreu no pavilhão gimnodesportivo da Cidadela.

Num ambiente de dor e consternação, ouviu-se o Hino Nacional e, depois, José Eduardo dos Santos cumprimentou parentes próximos de Alberto Teta Lando, cujos restos mortais vão a enterrar, às 13H00, no cemitério do "Alto das Cruzes".

O Presidente da República, em mensagem à família, refere que o "passamento físico do inditoso Alberto Teta Lando constitui uma perda irreparável, não só para sua família mas também para a Nação angolana que tanto amou e procurou imortalizar nas suas belas canções".

"Teta Lando era um músico de grande talento e um cantor exímio, que durante décadas produziu canções que enriqueceram o nosso património cultural, merecendo figurar entre os mais destacados compositores angolanos", ressalta ainda.

Na missiva, acrescenta: "Em meu nome e no da minha mulher apresentamos à família enlutada, aos seus amigos e inúmeros admiradores as mais profundas condolências".

 Artistas angolanos rendem homenagem a Teta Lando

Músicos angolanos reuniram-se, na manhã de hoje, quarta-feira, no Pavilhão Principal da Cidadela, em Luanda, onde na presença do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, renderam a última homenagem a Teta Lando.

Ao som dos trombones da Orquestra Kimbanguista, que ao longo do programa de homenagem entoou canções do finado presidente da União dos Artistas e Compositores (Unac), os artistas, um a um, despediram-se de Teta Lando.

Em declarações à Angop, alguns artistas, que reconhecem o valor e o papel que Teta Lando desempenhou enquanto responsável máximo da Unac, disseram que tudo farão no sentido de manter vivo, para as futuras gerações, o legado do músico.

Massano Júnior, antigo companheiro no agrupamento África Show, relembrou a carreira de Teta Lando, afirmando que sempre deu o melhor de si em prol da música e da cultura angolana.

"É uma pessoa que, depois de regressar a Angola, em 1989, fez da união e da dignificação da classe o seu cavalo de batalha que culminou com o acordo alcançado com o Governo para a atribuição da pensão de reforma aos artistas", realçou.

A mesma opinião foi defendida por Elias Dya Kimuezo, adiantando que Teta Lando foi como um pai para os músicos angolanos. "O que ele fez pelos músicos enquanto presidente da Unac mais ninguém conseguiu fazer. Há que dar o mérito por ter conseguido, em tão pouco tempo, reunir a classe e dar-lhe dignidade", frisou.

Além do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e de artistas, estiveram igualmente presentes na Cidadela governantes, deputados, políticos, membros das Forças Armadas Angolanas e da Polícia Nacional, amigos e familiares.

Falecido dia 14 deste mês, em Paris, França, vítima de doença, Teta Lando vai hoje, às 13h30, a enterrar no cemitério do Alto das Cruzes, em Luanda, depois de uma missa de corpo presente a ser celebrada no local.

Natural de Mbanza Kongo, província do Zaire, onde nasceu em 1948, Alberto Pedro Teta Lando conduzia os destinos da Unac desde 2006, data em que foi eleito pelos associados em assembleia geral.

Durante a sua presidência, a Unac conseguiu junto do Governo a atribuição de uma pensão de reforma para os artistas com mais de 35 anos de carreira ou 65 anos de idade.

Com um vasto repertório, do qual se destacam as canções "Reunir (funge de domingo)", "Angolano segue em frente", "Tata Nketo", "Ntoyo", "Eu Vou Voltar", "Menina de Angola", "Negra de Carapinha Dura" e "Quimbemba", Teta Lando fixou-se definitivamente em Angola, em 1989, depois de ter participado no Festival Nacional da Cultura (Fenalcut), realizado no Estádio Nacional da Cidadela, em Luanda.

Ao longo de mais de 20 anos de carreira aprendeu a lidar com o som, tendo enveredado pela carreira de empresário cultural, com a pretensão de promover valores talentosos que podiam dar seguimento ao testemunho que retrata a sua vida de músico, compositor e de homem ligado à cultura.

Além de vários LP, o artista deixa um legado onde se incluem os álbuns "Esperanças Idosas" e Memórias", este último uma colectânea de músicas escritas ao longo dos seus mais de 20 anos de carreira.

Fonte: Angop



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