Paris - O canal TV Monde 5, no seu noticiário de sábado,  da conta da presença de mercenários angolanos na Costa do Marfim que estão ajudar o Presidente cessante   Laurent Gbagbo que recusa deixar o poder em função dos resultados das eleições que lhe foram desfavoráveis.


Fonte: Club-k.net/TV Monde 5/

Soldados angolanos controlam palácio de Gbagbo

Aquele canal de televisão, diz que o derrotado presidente  Laurent Gbagbo  partirá  nos próximos dias para a chamada   "Operação Dignidade II"  que tem como   objectivo  controlar o território na sua  totalidade e defender a soberania da Costa do Marfim  sem interferências internacional. Para efeito, Jacqueline Lohoues-Oble, uma porta-voz do  líder desesperado  recomendou a retirada das tropas da ONU e Francêsas que encontram-se no território.

 

Entretanto, o  Primeiro-Ministro Guilherme Soro confirmou  também a  TV Monde 5  a presença de mercenários angolanos na cidade de   Yamoussoukro. As tropas angolanas controlam neste momento o palácio presidencial onde encontra-se Laurent Gbagbo.


Nos últimos dias, os  mercenários angolanos, descritos como “armados até aos dentes”  impediram a manifestação dos simpatizantes de Allassane Ouattara , que com   receio das tropas angolanas e liberianas recearam  sair as ruas e prosseguir as manifestações. Há previsão de que a situação se torne  tensa nos próximos dia.

 

De recordar que  no passado dia 6 de Dezembro, Kadet Bertin um familiar e  conselheiro especial do Presidente cessante da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, deslocou-se a Luanda para assegurar  ao Presidente José Eduardo dos Santos  que a situação no seu país “está calma”.

 

A Costa do Marfim vive uma crise pós-eleitoral depois de no sábado dois candidatos às eleições de 28 de novembro terem tomado posse como chefe de Estado e nomeado os respetivos primeiros-ministros.

 

A Comissão Eleitoral declarou o candidato da oposição, Alassane Ouattara, como vencedor da segunda volta das eleições presidenciais, com 54,1 por cento dos votos.

 

No entanto, o presidente do Conselho Constitucional, Paul Yao N'dré, - familiar e aliado do Presidente e candidato Laurent Gbagbo - não considerou os resultados válidos e declarou mais tarde que Gbagbo era o vencedor, com 45,9 por cento dos votos.

 

“A situação está calma”, disse aos jornalistas o conselheiro especial para a Defesa e Segurança do Presidente cessante da Costa do Marfim, Kadet Bertin, no final do encontro com o Presidente angolano, José Eduardo dos Santos.

 

Segundo Kadet Bertin, Gbagbo 'foi eleito  democraticamente, reconhecido pela Lei do país, segundo a Constituição”.

 

“Vim a Luanda para transmitir ao Presidente da República de Angola que o seu homólogo, Laurent Gbagbo, venceu a segunda volta das eleições presidenciais com 55 por cento dos votos válidos, contra 45 do seu adversário, segundo os resultados apurados pelo Conselho Constitucional”, disse Kadet Bertin.

 

O conselheiro disse ainda que Laurent Gbagbo nomeou um primeiro-ministro para formar um Governo e 'servir os interesses do país”.

 

Bertin considerou que a atitude do outro candidato “é condenável”, acrescentando que, ao auto-proclamar-se vencedor, Ouattara não recebeu nenhuma manifestação de apoio.

 

A agencia governamental angolana  angop, num texto em referencia a deslocação do enviado de Gbagbo,  noticiou que  as eleições foram, “vencidas pelo Chefe de Estado cessante, Laurent Gbagbo, triunfo, contudo, posta em causa pelo seu opositor, Alassane Dramane Ouattara.” A descrição deste órgão de comunicação revela a  posição e reconhecido do regime angolano ao candidato derrotado, Laurent Gbagbo.


O principal partido da oposição de Angola, a UNITA, felicitou Alassane Outtara pela vitória, que é também reconhecida pela comunidade internacional.


Ban Ki-moon e Sarkozy exigem que Gbagbo abandone a presidência

 

Por outro lado, o  secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon,  segundo o Jornal o Publoco num artido de Jorge Heitor, disse em Nova Iorque que Laurent Gbagbo deve deixar a presidência da Costa do Marfim.

 

Gbagbo deve entregar o poder ao seu adversário Alassane Ouattara, que ganhou a segunda-volta das presidenciais, afirmou Ban Ki-moon à imprensa.

 

São intoleráveis as tentativas do candidato derrotado para se manter no poder, sublinhou o secretário-geral, segundo o qual essa permanência seria "uma paródia da democracia e do Estado de Direito".

 

Horas antes, o Presidente francês, Nicolas Sarkozy, exigira ao seu homólogo da Costa do Marfim que abandonasse o lugar "antes do fim da semana".

 

Em Bruxelas, onde participou numa reunião de chefes de Estado e de Governo, Sarkozy declarou que Gbagbo deverá entregar o poder se não desejar ser incluído na lista de sanções a aplicar pela União Europeia (UE) a uma série de personalidades do seu regime.

 

"Não há outra solução para Gbagbo que não seja deixar um lugar que está a usurpar", afirmou taxativamente o Presidente da República Francesa.

 

O Presidente e a sua primeira mulher, Simone Ehivet Gbagbo, vice-presidente da Frente Popular Marfinense (FPI) e líder do respectivo grupo parlamentar, "têm o seu destino nas mãos", acrescentou Sarkozy.

 

“Cabe a Gbagbo decidir a imagem que pretende deixar na História. Quer deixar a imagem de um homem de paz? Ainda há tempo, mas já vai escasseando; e ele deve partir. Ou quer deixar a imagem de alguém que permitiu que se disparasse sobre civis inocentes? ", perguntou o Presidente francês, no fim da cimeira europeia.

 

"Existem jurisdições internacionais, como o Tribunal Penal Internacional, onde o próprio procurador afirma que está a acompanhar muito atentamente a situação e que os que ordenaram que se disparasse serão chamados a prestar contas", prosseguiu Nicolas Sarkozy, na sua linguagem particularmente dura.

 

"É preciso manter a pressão, ou até mesmo aumentá-la. A única assinatura bancária válida para o Estado marfinense é agora a de Ouattara", afirmara já a ministra francesa dos Negócios Estrangeiros, Michèle Alliot-Marie.

 

Fonte norte-americana citada pela Euronews disse que os Estados Unidos e a União Africana (UA) também estão a fazer pressão para que Laurent Gbagbo se demita quanto antes e parta para o estrangeiro. É aquilo a que a AFP chama a estratégia da asfixia da administração cessante.

 

Uma das personalidades às quais a UE pretende aplicar sanções é o conselheiro presidencial Bertin Gahié Kadet, sobrinho de Gbagbo, que recentemente o enviou a conversações com o seu homólogo de Angola, José Eduardo dos Santos.

 

Por seu turno, o Conselho Europeu que esteve reunido em Bruxelas pediu aos dirigentes marfinenses, tanto civis como militares, que ainda o não fizeram, "que se coloquem sob a autoridade do Presidente democraticamente eleito Alassane Ouattara,”

 


O presidente da Comissão da UA, o gabonês Jean Ping, encontra-se desde hoje de manhã em Abidjan, a fim de ainda procurar evitar a guerra civil que cada vez mais se desenha no país que é o maior produtor mundial de cacau.

 

Depois de ter falhado a mediação do antigo Presidente sul-africano Thabo Mbeki, enviado pela UA no dia 5 de Dezembro, Jean Ping tenta uma hipótese de evitar o mergulho total no caos, num país onde ontem se verificaram largas dezenas de mortos : pelo menos 30 em Abidjan e cerca de 20 nas proximidades da cidade de Tiebissou, no interior.

 

Ping seguiu directamente do aeroporto da maior cidade do país para um encontro com o Presidente cessante, Laurent Gbagbo, depois do que foi ao hotel onde se encontra o Presidente eleito Alassane Ouattara e se reuniu com representantes da comunidade internacional, evitando fazer declarações à imprensa, por considerar a sua missão "muito sensível".



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