Luanda - O presidente do Conselho de Administração da ENDIAMA, António Carlos Sumbula, disse em Luanda que os sinais de retoma que o sector diamantífero vai conhecendo nos últimos tempos vai permitir à empresa prestar especial atenção às centenas de trabalhadores que perderam os seus empregos ou foram remetidos à condição de excedentários.


Fonte: JA


Carlos Sumbula afirmou que os efeitos da crise económica e financeira de dimensão mundial que atingiram o sector diamantífero de forma dramática levaram à paralisação ou à suspensão de vários projectos em que a ENDIAMA e o Executivo depositavam grandes esperanças.
Em finais do ano passado o Executivo aprovou sete projectos para o sector dos diamantes.

 

"Para além do sucesso que esperamos destes projectos, contribuindo para o aumento da produção, exportação e das receitas financeiras e fiscais, ansiamos que sirvam para o enquadramento de boa parte da mão-de-obra do sector que está desocupada", disse, acrescentando que vai ser uma grande oportunidade para a redução do desemprego no sector, minimizando as carências por que passam inúmeras famílias angolanas.

 

Só em 2009, na região diamantífera da Lunda-Norte e no auge da crise económica e financeira, pelo menos mil pessoas perderam os seus empregos no sector diamantífero.

 

Produção artesanal

 

Carlos Sumbula disse que a empresa, além de ser uma referência no país vai continuar a gerir de forma sustentável a exploração de diamantes com base em valores de "excelência, inovação e respeito pela comunidade". Assegurou que a ENDIAMA vai continuar a desenvolver a produção artesanal de diamantes, devendo instalar, em breve, uma estrutura na vila do Dundo para trabalhar com os governos das Lunda-Norte, da Lunda-Sul e as autoridades tradicionais para tornar célere o processo.


Carlos Sumbula recordou que o objectivo fundamental da empresa é o crescimento da produção e exportação de diamantes para que o "sector aumente as receitas e forneça ao Estado mais contribuições fiscais".


O facto de em 2010 os preços dos diamantes angolanos terem chegado aos níveis anteriores à crise económica e financeira mundial constitui o "maior sucesso" para a sua empresa. 


"Tivemos problemas porque o preço dos diamantes baixou na sequência da crise financeira. A nossa primeira acção foi atacar o preço. Foi o que mais nos preocupou. Estabelecemos estratégias que nos permitiram fazer com que o preço aumentasse", sublinhou.

 

Carlos Sumbula referiu que com os actuais resultados, a empresa pode retomar os investimentos que fazia antes da crise, como pôr em funcionamento as minas paralisadas. "Essa é uma das fortes razões que levou o Executivo a aprovar sete novos projectos diamantíferos para a prospecção e produção diamantífera."

 

Lançamento de projectos


A relativa bonança no sector diamantífero tem vindo a permitir o lançamento de novos projectos. Com um investimento de 28 milhões de dólares, o ano passado arrancou com o projecto Luana, uma localidade próxima do Lucapa, na província da Lunda-Norte, com uma produção inicial de três mil quilates de diamantes por mês e que permitiu criar 120 postos de trabalho mas pode chegar a 250 à medida que for evoluindo a prospecção. No Luana, a ENDIAMA tem 39 por cento de acções, a Transex 37, a Wengi 15, a Caxingi 13 e a Za-kufuna cinco por cento.

 

Outro projecto que arrancou o ano passado foi o Luxinge, na comuna do Cambulo, município da Lunda-Norte, num investimento de 13 milhões de dólares na fase de prospecção geológica e mineira e outros seis milhões e 500 mil dólares no arranque. No Luxinge, a Endiama detém 18 por cento de acções, a Compensa Angola, a Shefflied e a Syntecchron Tríade detêm 10 por cento cada. A empresa sueca Internacional Gold Exploration (IGE) possui 42 por cento.

 

Diversificar investimentos

 

Carlos Sumbula notou que um ambiental favorável no sector pode dar à Endiama a oportunidade de concretizar outros projectos, alguns deles no âmbito da sua responsabilidade social, citando, como o Hotel Diamante, em fase de conclusão na Baixa de Luanda, como uma "fonte alternativa de receitas".

 

Em Luanda, a Endiama espera concluir o Museu do Diamante, que se espera venha a ser uma grande atracção para os visitantes e os habitantes da capital angolana. Em Saurimo, Lunda-Sul, foi lançada a primeira pedra para a construção de um bairro residencial com duas mil habitações. Nos arredores de Saurimo, vai ser erguida uma filial da clínica Sagrada Esperança com capacidade para 100 camas e com todos os serviços disponíveis em Luanda.

 

"Em Viana vamos construir 105 apartamentos para benefício dos nossos trabalhadores e nos arredores de Luanda pretendemos edificar outras mil casas contribuindo para os esforços do Executivo em minimizar as dificuldades da população no domínio da habitação", disse o presidente do conselho de administração da Endiama.

 

Ministro optimista


Presente na cerimónia, o ministro da Geologia e Minas e Indústria, Joaquim David, considerou que as crise são cíclicas e hoje é possível verificar um certo abrandamento da crise mundial, com a recuperação do preço dos diamantes e a retoma das actividades, além da recuperação dos projectos que estavam paralisados.

 

"A crise provocou o desemprego, paralisação de vários projectos, diminuição de certas actividades que estavam em curso no país, principalmente no sector diamantífero", reconheceu o ministro.


Joaquim David pediu aos funcionários da Endiama mais trabalho, dedicação, empenho e honestidade, já que, como disse, as reformas em curso vão trazer mais dinamismo e aumentar a produção. Joaquim David referiu que "neste período devemos partilhar o optimismo em relação ao futuro, uma vez que o futuro vai ser melhor que o passado".



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