Lisboa - Pelo menos 85 pessoas morreram no Egipto, segundo a estação de televisão Al-Jazira, em protestos que exigem a saída do Presidente, Hosni Mubarak. Hoje é o quinto dia de manifestações.


Fonte: AFP

 

Nas ruas há imagens de manifestantes ao lado das tropas, mas existem também informações de comandantes militares a acusar a população de pilhagensA Al-Jazira afirma que há 23 mortos confirmados em Alexandria, e activistas falam em mais 13 mortos na cidade. Em Suez, cidade no Sul do canal estratégico, morreram 27 pessoas, e no Cairo houve pelo menos 22 mortes. Devido ao grande número de feridos - a agência AFP mencionava 2000 - temia-se que o número de mortos pudesse ser superior.

 

O dia mais violento foi o de ontem. Nos dias anteriores, tinham havido notícias de sete mortos no total, seis manifestante e um polícia.

 

Hoje, no quinto dia consecutivo de protestos, as manifestações não pareciam abrandar apesar do Presidente, Hosni Mubarak, ter ontem falado pela primeira vez, anunciando reformas democráticas e económicas e a demissão do Governo – recusando, no entanto, sair, como era pedido nas ruas.

 

Governo demitiu-se


O Governo demitiu-se formalmente, e especula-se que o actual ministro do Investimento, Comércio e Indústria, Racheed Mohamad Racheed, poderá ser o novo primeiro-ministro, segundo a emissora BBC.

 

O Presidente norte-americano, Barack Obama, fez uma declaração pouco depois do discurso do líder aliado, relatando que tinha telefonado ao seu homólogo afirmando que agora era altura de fazer com que as suas palavras sobre reforma tivessem resultados concretos.

 

O opositor Mohamed ElBaradei, que na quinta-feira regressara ao Cairo para participar nos protestos e oferecer-se para liderar uma transição de regime, declarou que as palavras de Mubarak tinham sido “um desapontamento” para os egípcios. O Presidente deveria demitir-se e preparar uma transição, defendeu ElBaradei, antigo chefe da Agência Internaiconal de Energia Atómica e Nobel da Paz.

 

O Exército estava nas ruas do Cairo, protegendo locais como o Museu Egípcio, onde estão tesouros nacionais como as máscaras de ouro de Tutankhamon, a televisão estatal e os edifícios governamentais. Os manifestantes tinham, na véspera, incendiado a sede do Partido Nacional Democrático, de Mubarak, perto do museu, e temia-se pela sua segurança, quer em relação a fogo quer a pilhagens.

 

A situação hoje era marcada sobretudo pela tensão, com o papel do Exército ainda indefinido: por um lado houve manifestantes em cima de tanques e soldados a fazer o sinal "v" de vitória, mas houve locais em que comandantes militares acusaram a população de pilhagens, diz o repórter do diário britânico "The Guardian" Jack Shenker, no Cairo. Havia rumores de que os militares poderiam usar o argumento da falta de ordem para tomar o controlo das ruas e afastar os manifestantes.

 

Em Rafah, perto da fronteira com a Faixa de Gaza, manifestantes atacaram a sede da Segurança do Estado em confrontos com a polícia que terão feito três mortos entre as forças de segurança, segundo a AFP.

 

Enquanto o recolher obrigatório, decretado na véspera e desafiado por milhares de pessoas, foi prolongado hoje e deveria entrar em vigor a partir das 16 horas locais (menos duas em Lisboa).



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