Luanda - Tinha os olhos presos num artigo para publicação, quando, repentinamente, ouvi a CNN ecoar o grito victorioso do povo Egipcio contra Mubarak – “We have breakdown the regime, we have breakdown the regime!” O que podia traduzir-se como – “partimos com a espinha dorsal do regime, partimos com o regime...”, gritava o povo. Nao pude resistir a esse grito contagiante, e susurrei, finalmente, mais um ditador foi-se com o vento.


Fonte: Club-k.net

 

Ditadores esses que, em seu mais recente artigo em Journal of Democracy (2011), o academico Keniano, Migai Akech, tão laconicamente classifica como “The Big Man” (Grande Homem). Se a memoria nao me engana, a lista dos ‘Grande Homem’ em Africa podia ser imensa, todavia, aqui vai a minha mnemonica da peste de Big Man: José Eduardo dos Santos, presidente de Angola (32 anos no poder), Yoweri Museveni da Uganda (25 anos), Hosni Mubarak do Egypto (deposto pelo povo Tunisino, depois 30 anos no poder), Paul Biya dos Camaroes (29 anos), Muammar Gaddafi da Libya (42), Teodoro Obiang Nguema da Guine Equatorial (32), Robert Mugabe de Zimbabwe (30), Rei MSwati III of Swaziland (24), Blaise Compaore de Burkina Faso (24), e Presidente Zine al-Abidine Ben Ali da Tunisia (deposto pelo povo, depois de 23).

 

Mas o objectivo desse artigo de opiniao é eminentemente interpretativo para identificar as causas profundas da queda do regime no Egipto. O turbilhao iniciou na Tunisia com a queda de Zine al-Abidine Ben Ali. Pareceu-me de imediato que as rivalidades no campo de futebol que sempre opuseram e separam Tunisia e Egipto iriam, finalmente, ser força inspiradora para grandes mudancas politicas. A Tunisia lancou a bola politica para o Egipto. Entretanto, contrário ao futebol, ambos paises sairam vitoriosas sobre os seus ditadores. Ben Ali deixou, preçurosamente, a Tunisia. E como se nao bastasse o infortúnio, as autoridades de Franca e o Swiss Bank estão agora a congelar os bens com valores suptuosamente milionarios desse ditator e ex-Grande Homem. Ironia da historia dos ditadores, e vitoria dos oprimidos! Agora foi a vez de Mubarak esvaiar-se com o vento. Vendo ontem o seu discurso compungente desse Homem, tive a imediata sensação de que esses eram seus momentos derradeiros no peloiro. E que cedo a ira do povo iria apossar do ultimo Faraó Egipcio (como chamaram os reporteres Americanos).

 

Por sinal, nem o filho de quem muito se aventou como possivel sucessor para pais (como se de uma monarquia fosse) lhe foi dado esse desiderato. Aliás, essa a pratica dos pais substituirem os pais tem sido corrente nos paises Africanos empestados pela virose do poder-pelo-poder-para-enriquecer-se da miseria do povo. Por exemplo, Ali Bongo Ondimba sucedeu a Omar Bongo, depois desse ter reinado com ira e venalidade o povo Gabones por mais de 40 anos. Ironicamente, Franca, os antigos colonizadores, continuam a perfilhar a mesma cartada colonial, explorar o nativo, atraves de seus ditadores nativos. Surpresa, surpresa, onde estão o sistema judicial Frances ou dito Swiss Bank para congelarem os bens milionares da dinastica Bongo? Deveras nao tenho reposta para essa questao! Voltemos, entao, a desventura do ultimo Farao Egipcio. O Grande Homem caiu, finalmente, depois 30 anos ira e exploracao contra o seu povo. Mas como caiu? Eis a questão! Eis duas possiveis alinhas de interpretação.

 

Primeiro eu chamaria de causa exogeneo. Os Americanos que doam, aproximadamente, $2 Bilioes Dolares por ano (ido grande fatia dessa ajuda para exercito Egipcio, por sinal considerado como 10º maior do mundo), ja estao fartos de lidar com octagenario Mubarak, alguem, que, provavelmente, pela forca da sua idade e pelo peso de sentimento de culpa por tanto mal practicado, ia sofrendo de algum tipo de incontinencia. Portanto, os Americanos deduziram que lidar com Mubarak usava de fraudas descartaveis era perca de tempo e dinheiro. Os Americanos queriam sangue novo. Ou caso, tenha havido mudança substancial na politica externa da Administração Obama, e sobretudo no que tange ao principio – Democrat at home and abroad (quer dizer, ser democrata em casa e assim como no estrangeiro). Contriamente, a pratica maquiavelica e derrapina das administrações passadas. Contudo, e preciso ver que o Bush no seu Segundo Mandato e, sobretudo fazendo-se valer da argucia da Secretaria de Estado Doutora Condoleezza Rice, as coisas iniciaram a mudar. Mesmo para o nosso caso, o fim da guerra de ter tido uma bênção da Casa Branca (The White House). Portanto, não seria de todo mau argumentar que Hillary Clinton esta continuar esse processo de curra da ambiguidade que Politica Externa Americana sempre teve.

 

Segundo sao as causas endogenas. Essa deve tanto mais com o poder de organisacao da juventude Egipcia em casa e no estrangeiro. Por exemplo, vindo o activista Nasser Weddady de 34 anos de idade contar na CNN o culminar do que ele chamou de – social media for change (uso de canais sociais para a mudança – foi, verdadeiramente, inspirador mais triste ao mesmo. Inspirador, porque, esse jovem activista e tanto outros fizeram o bom uso de recursos virtuais tais como – Facebook e Twitter para galvanizar e, sobretudo, expor a raisa do povo Egipcio contra Mubarak e seu regime. E, diria triste, porque, para o caso do nosso pais onde acesso da internet (e os telemóveis) e excasso e ao mesmo controlado, compulsivamente, pelo regime aparatoso de José Eduardo dos Santos, certamente, a queda do regime de Eduardo dos Santos não poderia vir desses meios. Embora, tão, piamente, sinta que o Segundo Mandato da Administração Obama em 2013 vai ser decisivo para Angola. Aqueda do regime de Eduardo dos Santos está para breve! E, embora seria tempo dos Estados Unidos da America, Swiss Bank e alguns paises Europeus iniciarem, gradualmente, essa campanha de derrube desse e d’outros regimes ditadores em Africa.


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