Cabinda – A cidade de Cabinda acordou ontem, dia 12 de Fevereiro com um forte dispositivo policial, um dia apôs a noticia de que  protestos no Medio Oriente  derrubaram  o presidente egípcio, Hosni Mubarak.

 

Fonte: Club-k.net


Agentes da polícia fortemente armados e apoiados por unidades caninas circulavam nas principais artérias da cidade, com maior destaque nas áreas onde se situam igrejas e capelas ligadas ao movimento religioso Lubunduno. As capelas do Cabassango e de S. Tiago foram os lugares privilegiados da polícia. Até 18 horas de ontem era visível a presença policial na capela de S. Tiago.



Hoje, dia 13 de fevereiro, a situação está demasiada tensa, aumentou-se o efectivo policial e o arsenal de repressão. Agentes da polícia anti-motin fortemente armados isolaram as capelas de Cabassango, S. Tiago e Macoco, bloqueando o accesso a estes lugares de culto do movimento Lubunduno. Os populares que se dirigiam à estas capelas foram interpeladas pelos agentes da polícia, proibindo a habitual oração dominical e o porte de lenços na cabeça das senhoras.


O estado de sítio que se vive actualmente em Cabinda surge em um momento muito delicado para a Igreja e para o Governo Provincial de Cabinda. A Igreja Católica celebrou o sexto aniversário da nomeação de D. Filomeno Vieira Dias para Bispo da diocese de Cabinda, aniversário esse marcado por tumultos e divisões no seio da Igreja. Face a esta situação, os catequistas do movimento católico Lubunduno planificaram uma jornada de oração prevista hoje, dia 13 Fevereiro, para rezar pela unidade da Igreja.


Por outro lado, notícias em circulação dão conta de que foi marcada para este sábado uma manifestação espontânea para “saudar o nascimento da nova República do Sudão do Sul, que se separou do Sudão através de um referendo”. Além disso, a corrupção, o ambiente de repressão, a falta de energia, luz e água em Cabinda, para além da deterioração do sistema sanitário e das condições higiénicas das populações (cidade de Cabinda cheio de lixo), tem gerado um forte movimento de contestação em meios académicos. Agastado com esta situação e com as irregularidades no pagamento das propinas por parte do governo provincial de Cabinda, há cada vez mais vozes em meios estudantis a favor de uma marcha de
protesto.


Muitos acreditam na eficácia dos protestos populares, já que estes já derrubaram dois lideres árabes em um mês. E a quantidade de polícias destacados para impedir qualquer acto de protesto nestes últimos dois dias mostra “ o temor do governo, que está em desespero”.

 

Em vista a identificar os mentores da marcha em questão, os agentes da segurança têm organizado infiltrações policiais em meios considerados hostis pelo regime, nomeadamente, naqueles dos activistas da ex-Mpalabanda e do movimento religioso Lubunduno. Por exemplo, na noite de quinta para sexta-feira, agentes da Polícia  procederam a buscas nas casas dos activistas Alexandre Cuanga, Próspero Mambuco Sumbo e Júlio Paulo, por presumível prática de excitação de manifestações.


Entretanto a tensão popular sobe, e o actual nível de tensão é muito alto.  Prevê-se acções de detenção e mesmo de perturbações provocadas pelas forças policiais para justificar actos de repressão e babárie, muito usuais em Cabinda.



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