Aquela multidão foi participar numa grande festa. E sobretudo foi dar um sinal de que confia no sistema político e que os esforços feitos pelas instituições para o Registo Eleitoral e todos os outros passos do processo que conduz às eleições, não foram em vão.

Centenas de milhar de pessoas concentraram-se no Zango, esse bairro que encerra em si sonhos e esperanças de quem ontem vivia à margem da sociedade, para dizer a Angola e ao mundo que os angolanos vão votar em massa. Vão aproveitar as eleições para, de uma vez por todas, dizerem que estão do lado da paz, do progresso, da reconstrução nacional. Mulheres, muitas mulheres, avós sorridentes, mães esperançosas, jovens confiantes, encheram o bairro de Viana com as suas canções e a sua alegria. Jovens, milhares de jovens, rapazes e raparigas, deram uma lição de responsabilidade e de civismo. Muitos deles foram directamente da farra de sexta-feira à noite para o comício.

Basta abrir os olhos e querer ver aquilo que os olhos de facto estão a ver, para se compreender que aquela multidão que na manhã de sábado se deslocou ao Bairro do Zango, acredita em Angola. Acredita no futuro. Acredita nos políticos. Acredita na democracia. Acredita no projecto. Vive com alegria o momento político que atravessamos.

 E ninguém venha dizer que é preciso dinheiro para fazer um comício com centenas de milhar de pessoas. A fé não se compra. A esperança não está à venda em nenhuma sede partidária. O amor não é mercadoria. E o que vimos no comício do Zango foi amor à Liberdade e à Democracia. Isso não tem preço. Vimos esperança nas vozes que cantavam. Vimos confiança nos corpos que dançavam. Vimos respeito e lealdade na atenção que todos dedicaram aos oradores. O povo não se vende, até porque não há dinheiro que compre a força e a determinação de um povo.

O comício do Zango foi uma extraordinária manifestação de civismo e uma lição eloquente de cidadania. Se alguém tinha dúvidas, aí está a prova: num espaço para o qual convergiram centenas de milhares de cidadãos, nem uma zaragata, nem uma rixa, nem um conflito, nem uma palavra áspera. Todos estavam irmanados no sonho de fazer de Angola um grande país. Todos estavam unidos para enfrentar com sucesso o maior desafio que alguma vez se colocou a um povo, que nos últimos 50 anos somou vitórias retumbantes e realizou tarefas prodigiosas, que muitos julgavam impossíveis, o desafio da reconstrução nacional e da construção do futuro.

Retenho as palavras de um jovem estudante que, na euforia da festa, gritou: “Nós já ganhámos a paz. Agora temos de ganhar a nossa vida!” É isso. Os angolanos só querem mesmo viver a sua vida sem ameaças, sem constrangimentos, sem interferências estranhas. A cultura dos angolanos é uma cultura de paz. Os angolanos agora acreditam que o futuro tem as cores da festa do Zango.

*Director do Jornal de Angola
Fonte: JA



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